Análise Especial: Ponte Preta, zelo por democracia e luta contra o espirito de cerceamento no debate da opinião pública

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Não sou de responder comentários em redes sociais. Considero que a circulação de ideias e conceitos é fundamental para o estabelecimento do debate e da democracia. Discordar é vital. Se for com educação, melhor ainda.

Quem considera que apenas uma ideia deve prevalecer é amante do totalitarismo, do estado de exceção, da censura e da ausência de pluralidade.

Ao receber na manhã de hoje um print a respeito de um debate sobre o que ocorre nos grupos fechados da Ponte Preta considerei que era hora de abrir uma exceção. A frase dita pelo torcedor  Marcos Dimarzio Milreu é a seguinte. “(…) Essa milícia do Só Dérbi só quer uma coisa. Desconstruir a imagem de SC. Ainda bem que temos bons e velhos torcedores para recordar e mostrar a realidade”, afirmou.

Em poucas palavras  Milreu demonstra disposição zero ao diálogo. Espantoso. Um sentimento indireto de desejo de implantar o estado de exceção. Totalitarismo.

Vamos ao ponto: aqui não se descontrói imagem de ninguém. Retrato os fatos e ponto final. Não estou disposto a ser bajulador de dirigente, treinador e jogador. Quero sim, analisar e verificar os fatos, este senhor supremo. E que somos humanos, com virtudes e defeitos.

Sei que milhares pensam como Milreu. Ou seja, que Sérgio Carnielli deve ser preservado, bajulado e jamais criticado.

Pergunto: por que? Por qual motivo? O que ganha a opinião pública pontepretana em troca deste tratamento infantil em relação ao personagem? O pior é que figuras como Milreu e outros pontepretanos demonstram dificuldade de interpretação de texto. Já cansei de escrever artigos em que destaco o legado de Sérgio Carnielli. E aqueles que querem fazer oposição também já receberam ressalvas e seus defeitos foram apontados.

A declaração de Milreu é séria. Preocupante. Demonstra uma pessoa que não entende o papel da imprensa ou que sonha apenas com órgãos de comunicação dóceis, submetidos a um processo de canonização.

Entendo que milhares ovacionam Carnielli por duas decisões de Campeonato Paulista, títulos do interior, revelação de jogadores, entre outros feitos. Mas, com todo o respeito, considero raso e superficial eleger que o legado de um dirigente se faz apenas e tão somente pelos resultados do gramado.  Alexandre Kalil, atual prefeito de Belo Horizonte não está na história apenas pela conquista da Libertadores e da Copa do Brasil e sim por viabilizar a Cidade do Galo, um dos principais centros de treinamento da América Latina.

Mário Celso Petraglia pegou um time sucateado e transformou o Athletico PR em uma potência do futebol nacional. Juvenal Juvêncio legou ao São Paulo o Centro de Treinamento de Cotia, voltado para a revelação de jogadores e que hoje é essencial ao tricolor paulista para manutenção de suas finanças. Citei três dirigentes que deixaram uma herança perene aos seus clubes. E com Sérgio Carnielli? O que podemos apontar como algo semelhante? Pense..

Que justificativa existe para que eu ignore a incompetência do grupo político de Sérgio Carnielli em proporcionar melhoria da estrutura e do próprio estádio Moisés Lucarelli?

Colocou dinheiro? Sim, até neste caso o feito tem efeito positivo limitado. Seria de bom grado verificar a situação do Criciúma. Sim, está em patamar inferior ao da Ponte Preta no cenário, mas pode se reerguer. Antenor Angeloni, patrono clube, além de colocar dinheiro no clube, viabilizou a construção de um novo Centro de Treinamento.

É disso que eu trato neste Só Dérbi: construção de legado.  Na Ponte Preta não há. Não há relação nenhuma com milícia digital. É apenas cumprir a função primária do jornalismo, que é a de abordar pontos e assuntos que muitas vezes não existem na opinião pública. É lutar contra a opinião de manada.

Ao invés de atacar veículos de comunicação que utilizam a viés critica para buscar o melhor para Ponte Preta, Milreu e todos aqueles que torcem o nariz para um trabalho que busca desnudar acertos, falhas e equívocos de Sérgio Carnielli deveriam entender que a democracia só pode existir com liberdade plena de imprensa.

E que o jornalista Vladmir Herzog não pode ter morrido em vão nos porões da ditadura em 1975. A democracia é um bem muito valioso para ficar submetido ao capricho daqueles com desejo de cercear a informação.

(Elias Aredes Junior)