Se existe um ativo precioso na vida, esse ativo é o tempo. No futebol profissional, onde o planejamento deveria ser a regra, o tempo é o divisor de águas entre o acesso e o fracasso.
No Guarani Futebol Clube, o tempo é um conceito abstrato, ignorado por quem deveria zelar pelo destino. O veredito é doloroso, o Guarani jogou 93 dias de trabalho diretamente na lata do lixo com a definição da demissão do técnico Matheus Costa.
A contagem regressiva para o desastre começou em 11 de outubro do ano passado após a derrota por 2 a 0 contra a rival Ponte Preta. O acesso escorreu pelas mãos.
O que desespera o torcedor bugrino é a repetição de um padrão medíocre de gestão. Se o Guarani estivesse apresentando um futebol qualificado ou agressivo, haveria argumentos para a manutenção do técnico Matheus Costa. Sustentar a permanência da comissão técnica diante desse cenário não foi “dar tempo ao trabalho”, foi desperdiçar o tempo que o clube não tinha.
A crise no Brinco de Ouro é, acima de tudo, qualitativa. O grupo político que comanda o clube parece sofrer da síndrome de Homer Simpson: “A culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser”. Homer forma discípulos que sequer imaginamos.
Existe um endeusamento perigoso de figuras como o executivo de futebol Farnei Coelho. Por mais que conheça o ramo, ele não é Deus. Só que jamais podemos esquecer: o problema é estrutural. Não adianta contratar uma constelação de jogadores se quem decide o rumo das contratações tem um padrão de decisão consistentemente ruim.
Na base do desespero, muitos buscam a solução mágica na SAF (Sociedade Anônima do Futebol) para reavivar as esperanças. Uma reflexão deve ser dita: quem decide mal no modelo associativo terá capacidade para decidir de modo eficiente na hora de escolher o dono da SAF? Afinal, se um trabalhador doméstico não limpa a sala ou a cozinha, por que acreditaríamos que ele faria um trabalho impecável no banheiro?
Dura realidade: o Guarani precisa buscar três resultados em seis jogos para garantir a permanência. É pouco para a grandeza do Guarani.
O cenário no Guarani Futebol Clube ultrapassou o limite do preocupante para atingir o campo do surreal. Enquanto a atual administração e seus defensores se ocupam em “metralhar” ou depreciar nos bastidores as vozes críticas da imprensa e da torcida, os resultados dentro de campo contam uma história de fracasso que nenhum discurso oficial consegue apagar.
A busca por um novo técnico pode virar um exercício de futilidade. Na atual conjuntura, nem Guardiola ou Klopp dão jeito. O problema do Guarani não é tático, é estrutural e político.
Sob a atual direção, a incompetência deixou de ser um acidente de percurso para se tornar o verdadeiro patrimônio imaterial do grupo político que comanda o Brinco de Ouro. Uma pena para um gigante que merecia respeito, e não o descaso de quem prefere atacar o mensageiro a corrigir a mensagem.
Obserrvação: ás 16h48. Existe possibilidade de Matheus Costa ser reconduzido ao cargo. Será uma comprovação de que competência passa longe do Brinco de Ouro. O texto fica mais válido do que nunca.















