Caminho cotidianamente pelas ruas de Campinas, Sumaré e Paulínia. Jovens e adolescentes com camisas de futebol se transformaram em fato comum, inclusive quando o emblema em questão é do mercado europeu. Confesso que não consigo vislumbrar maior prova de fidelidade a uma equipe do que um torcedor que circula com a camisa oficial do Guarani, seja qual for o ano ou época de fabricação.
Pare e pense. As outras equipes fabricam motivos aos borbotões para o seu fã tirar o uniforme do armário. O Corinthians é o atual campeão brasileiro. O Santos faturou o Campeonato Paulista. O Palmeiras, mesmo que aos trancos e barrancos, arrebatou a Copa do Brasil de 2015. O Atlético Mineiro virou uma máquina de conquistar títulos nos últimos três anos e virou uma referência para a colônia mineira, também sede do orgulho cruzeirense por dois títulos nacionais em 2013 e 2014.
E o Guarani? Com seus dirigentes incompetentes, jogadores limitados e estrutura deficiente por muito tempo só produziu frustrações desde a participação na final do Campeonato Paulista de 2012, vencido pelo Santos. Posteriormente, no mesmo ano foi rebaixado a terceirona nacional e no ano seguinte amargou a lanterna do Campeonato Paulista.
Desde então, participou de três edições da Série A-2 e nunca sonhou em alcançar uma vaga de acesso e prepare-se para a sua quarta participação na Série C do Brasileirão. É um calvário sem fim mesmo se compararmos com concorrentes com decepções profundas. O Fortaleza, por exemplo, amargou três eliminações no torneio nacional nas últimas quatro temporadas, mas é o atual bicampeão cearense.
O que é isso comprova? Simples: basta uma gestão minimamente competente e com planejamento para o Guarani renascer, tornar-se competitivo e a resposta ocorrer nas arquibancadas. Ao andar com a camisa bugrina pelas ruas o torcedor transmite seu recado: a paixão está intacta. Apesar de tantas traições.
(análise feita por Elias Aredes Junior)