O Guarani jogou e venceu a Portuguesa no Canindé. O resultado é que fatos precisam ser analisados com serenidade.
A primeira é que a campanha do Guarani é superior da Ponte Preta. Um time tem oito pontos. O outro somou um. Também não podemos ignorar que será o único clássico do ano. Quem perder está lascado. Haja gozação.
Ao incluir outros ingredientes como estádio lotado e a boa fase de Caíque França e a eficiência nas bolas paradas podemos chegar a conclusão de que o Guarani é favorito.
Aviso: favorito não quer dizer que vá ganhar. Quem conhece minha linha de trabalho sabe que sempre aponto favoritos no clássico. Vou abrir exceção. Apesar de reconhecer a superioridade bugrina atual, nunca o jogo mais emblemático do futebol campineiro teve tantas armadilhas.
Primeiro, pegue o retrospecto do final de semana passada com clássicos.
O Flamengo poderoso perdeu do Fluminense.
O Atlético Mineiro, tido como um time de baixo astral, ganhou de virada do estrelar Cruzeiro e no Beira-Rio, o Internacional, que lutou contra o rebaixamento no Brasileirão, meteu quatro gols no Grêmio apontado como vencedor por antecipação.
Ah, então quer dizer que a Ponte Preta vai vencer? Nada disso. Os jogos só mostraram que a Comissão Técnica bugrina deveria ficar atenta.
Existe um fato: Matheus Costa tem dificuldade em Dérbi. Disputou três. Empatou um e perdeu dois. Não é pela derrota em si, mas nos dois jogos do quadrangular final da Série C, o seu trabalho foi ruim.
Fracassou nos dois jogos.
O time não vibrou.
Foi presa fácil para a Ponte Preta.
Agora, o torcedor bugrino não admite perder os três pontos. Empate é derrota. Ele vai saber administrar essa pressão? Vai suportar a cobrança que vem até mesmo antes do jogo contra a Portuguesa? Matheus Costa não tem saída. Precisa responder e de modo satisfatório.
E neste contexto que a Ponte Preta poderá surpreender. O time é fraco? Era. Com os reforços contratados a toque de caixa virou uma incógnita.
Desentrosado? Com certeza.
A crise financeira abalou o clube? Não há como negar. Mas não há esconder a capacidade demonstrada por Marcelo Fernandes nos dois Dérbis do ano passado. E convenhamos: montar uma retranca com um velocista e um goleiro azeitado é muito mais fácil do que armar uma equipe propositiva.
Poderia citar inúmeras falhas da Macaca, mas é de bom-tom citar as virtudes.
Cristiano é um armador objetivo e Jonathan Cafu pode ser o protagonista que todos esperam. Sem contar a raça e superação de Pacheco e a criatividade objetiva de Cristiano.
É suficiente para vencer o Dérbi? O gramado dirá. Mas que fique claro: em um clássico tão equilibrado na parte histórico, não existe vencedor de véspera.
(Artigo de Elias Aredes Junior-Foto-Arquivo Só Dérbi)













