Dérbi na história: na semifinal do Paulistão-2012, a disputa nos bastidores foi o combustível para um embate épico que colocou Vadão definitivamente na história

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No inicial da atual década, crise e fracasso começaram a andar juntos no futebol campineiro. Decepções no gramado se transformaram em rotina e os bastidores ferviam tanto no Moisés Lucarelli como no Brinco de Ouro.

Eis que o dérbi disputado no dia 29 de abril de 2012 produziu um herói improvável (Medina), consagrou Osvaldo Alvarez como “Rei dos Dérbis” e coroou um processo conduzido pelas oposições que fizeram as duas diretorias sair da letargia e do marasmo.

No Guarani, a disputa do Paulistão era a competição inicial de Marcelo Mingone, alçado a condição de presidente após a destituição de Leonel Martins de Oliveira, desgastado politicamente pelos atrasos de salários e pela forte oposição conduzida pela ONG “Garra Guarani”, que se opunha a venda do estádio Brinco de Ouro.

O ex-presidente foi o primeiro a propor a venda do Brinco como salvação para o quadro financeiro do clube. Para viabilizar estabilidade política, Mingone aceitou colocar a venda em segundo plano e investir no futebol. A vitória no dérbi foi a êxito do projeto arquitetado por Vadão e pelo então diretor de futebol, Claudio Corrente.

Na Ponte Preta, a movimentação política não era menor. No final de 2010, o então presidente Sérgio Carnielli patrocinou uma mudança no departamento de futebol com a designação de Márcio Della Volpe, Miguel Di Ciurcio como responsáveis pelo futebol.

Deu certo.

No ano seguinte, a equipe chegou as quartas de final do Paulistão, ficou em terceiro lugar na Série B e entrou 2012 motivado pelo trabalho do técnico Gilson Kleina. Só que existiu um obstáculo no caminho: Carnielli foi afastado do comando do clube por ordem judicial em virtude de problemas no balanço financeiro.

Foi substituído por Márcio Della Volpe, agora vice-presidente e que em declaração a Folha de S. Paulo no dia 29 de abril de 2012 não negava a influência do padrinho politico. “Conversamos sobre os todos assuntos. A gestão é dele (Carnielli)”, disse na ocasião.

Diante de tantas turbulências, vencer o clássico era garantia de dias mais tranquilos. Com um contingente de 900 policiais militares para fazer a segurança, a tensão estava no ar. Tempos em que as duas torcidas frequentavam o estádio e com 1450 ingressos destinados para pontepretanos.

Para se ter uma ideia da precaução das forças de segurança, basta dizer que a semifinal entre Santos e São Paulo, no Morumbi, contou com 600 policiais para evitar distúrbios em um público estimado acima de 60 mil pessoas.

Existia razão para a expectativa.

Na fase inicial, o Guarani ficou na quarta posição após 19 jogos e bateu o Palmeiras nas quartas de final por 3 a 2 no Brinco de Ouro. No mesmo dia, a Macaca, que terminou em oitava na classificação geral, surpreendeu o Corinthians em pleno Pacaembu e ganhou por 3 a 2.

Quando a bola rolou, Cajá e Fumagalli centralizavam as atenções. Coube a Medina marcar dois gols e confirmar a estrela de Vadão, que entrou definitivamente para a história. (Elias Aredes Junior)

FICHA TÉCNICA

GUARANI: Emerson; Oziel, Domingos, Neto e Bruno Recife; Ewerton Páscoa, Fábio Bahia, Danilo Sacramento e Fumagalli (Medina, 28/1º); Fabinho e Bruno Mendes (Bruno Peres, 44/2º). Técnico: Oswaldo Alvarez.

AAPP: Bruno Fuso; Guilherme, Ferron, Diego Sacoman e Uendel; Xaves (Maranhão, 24/2º), João Paulo Silva, Caio (Enrico, 20/2º) e Renato Cajá; Rodrigo Pimpão (Gerson, 11/2º) e Roger. Técnico: Gílson Kleina.

Gols: Caio aos 39min do primeiro tempo; Fábio Bahia aos 08min, Medina aos 23min e aos 40min do segundo tempo

Local: Brinco de Ouro da Princesa – Campinas/SP

Data: 29/04/2012 (domingo)

Horário: 18:30

Árbitro: Flávio Rodrigues Guerra (SP)

Cartões amarelos: Caio (40/1º), Guilherme (4/2º), Renato Cajá (27/2º), Domingos (35/2º), Ferron (42/2º) e Roger (44/2º).

Renda: R$ 414.725,00

Público: 15.179 pagantes