Análise Especial: Elvis, o segundo maior jogador da história da Ponte Preta. Quer contestar? Fique à vontade. Mas não dá para brigar com os fatos!

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Nada é imutável. O que parecia definitivo hoje pode mudar amanhã. O futebol não pode fugir a essa lógica. A construção de ídolos é algo subjetivo e enfrenta conjunturas históricas. Um gol, outra jogada inesquecível ou uma taça levantada é algo que faz a diferença para determinadas camisas.

Na Ponte Preta, é inegável a suprema idolatria de Dicá. Autor de 154 gols em 571 jogos e um saldo espantoso em Dérbis com 16 vitórias, 14 empates e três derrotas. Ele continua insubstítuvel. O maior. Mas o segundo lugar tem dono: Elvis Vieira Araújo, de 35 anos. Campeão na Série A-2 de 2023 e na Série C de 2025. Tem 146 jogos com a camisa da Macaca. Convenhamos: neste futebol descartável e cigano do Século 21 é um feito.

O cético poderá perguntar: quais os argumentos? Vamos destrinchá-los.

Dentro do campo, Elvis desembarcou em um instante delicado na Ponte Preta. Problemas políticos, dinheiro à míngua e em 2022 especificamente, a humilhação de ter sido rebaixado na Série A-1 do Campeonato Paulista. Pois ele veio e consertou o meio-campo. Deu cadência, fluência e habilidade, atributos presentes na conquista da segundona regional de 2023.

O quadro financeiro fora de campo era delicado e a Série B de 2023 foi um martírio. O ataque era pífio (24 gols em 38 jogos) e cada vitória tinha gosto de Copa do Mundo. E o que fez a diferença foi um triunfo diante do Tombense, fora de casa. Bola com parada com Elvis e rede balançada. Depois, empate com Juventude e três pontos contra o CRB e a salvação assegurada. A temporada de 2024 é para Elvis e a Ponte Preta esquecerem. Nada deu certo. Seja a goleada sofrida nas quartas de final para o Palmeiras ou o péssimo segundo turno que culminou com o rebaixamento na Série C. Na temporada seguinte, o frescor, com um bom rendimento no Paulistão e a invasão gerada pela conquista da Série C.

Todos sabíamos que o ano de 2026 seria o ocaso de Elvis. A intensidade proposta no Paulistão e na Série B lhe traria dificuldades. É da vida. A passagem do tempo é implacável. Foi aí que surgiu o fator que leva o jogador nascido em Janiópolis (PR) ao segundo posto do pódio pontepretano: o surgimento da humanidade de Elvis.

Não vou contestar que Oscar disputou Copa do Mundo ligado a Ponte Preta, assim como o goleiro Carlos. Impossível negar o protagonismo de Renato Cajá nos acessos de 2011 e 2014. Uma temeridade esquecer o papel de Felipe Bastos e Roberto Volpato no vice-campeonato na Sul-Americana de 2013. Assim como é avassalador o papel de Roberto Pinto na conquista da Divisão Especial de 1969. Ou a faro de gol de Osvaldo, que fez três em duas semifinais de Dérbi no Paulistão de 1979. Poderia citar a raça de Monga, o destemor de Grizzo ou de Piá, a força e a habilidade descomunal de Luis Fabiano ou até o papel fundamental de Cilinho ou de Zé Duarte em instantes fundamentais da Alvinegra.

Neste jogo de gigantes, Elvis apresentou uma carta poderosa. Um super trunfo capaz de destruir jogada de mestre. Elvis deu colo ao torcedor pontepretano. Foi o pastor que abraçou e orou com o torcedor de arquibancada; o padre que acalentou e abençoou, o rabino que orientou, a mãe de santo que deu potência e força para o torcedor continuar e prosseguir. Sem poderes divinos, Elvis tenta operar o milagre de regenerar o torcedor de quem sente que está no inferno a cada 90 minutos.

A partir do gramado e de suas entrevistas Elvis proporcionou humanidade. Ele estendeu a mão e assegurou ao torcedor: “estou contigo”. Para o que der e viver.

Na hora da vitória, os bajuladores sobram. Quando a tormenta aparece, você quer saber quem vai contigo na busca do salvamento. Quem realmente se importa.

Na entrevista após a derrota contra o Criciúma, o camisa 10 pontepretano foi pai, irmão, tio, avô e tutor daqueles que estavam inconsoláveis na arquibancada. Qual o preço de tal gesto? Não há como medir.

Nunca entrevistei Elvis. Jamais vi ele pessoalmente. Não sei se ele é vaidoso, distante ou tem algum atributo humano negativo quando está nos vestiários. Quer saber? Pouco importa. Neste instante de dor e humilhação, Elvis é a mão que acalenta o coração e ameniza a dor do torcedor pontepretano. Isso vale mais do que qualquer gol de título.

(Artigo Escrito por Elias Aredes Junior)