Artigo opinativo: Eu, o racista do Sebastião. Por Marco Antonio Castiglieri

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– “Qual o nome daquele “NEGRÃO QUE EU COMPREI ? AQUELE NEGRÃO CACETE” (Sergio Carnielli em reunião do Conselho da Ponte Preta).

– Achei que a Diretoria seria composta por gente. Negro, branco, oriental, homem, mulher, pessoas competentes e não escolhidas pela cor, raça, sexo ou religião (minhas palavras, distorcidas covardemente pelo Sebastião.)

Pergunto a você: Qual das duas afirmações te deixaria mais indignado? Qual fala te revoltaria? Qual das duas tem cunho racista? E qual tem conotação “AFIRMATIVA”?

Pois bem, para o Sr. Sebastião, chamar e tratar pessoas negras como GENTE incomoda mais do que chamar um atleta profissional, um ser humano, gente, de “NEGRÃO QUE EU COMPREI”.

Para minha surpresa, em reunião do Conselho Deliberativo da Ponte Preta no último sábado, 25 de janeiro, o Sr. Sebastião, profundo conhecedor do mundo da politica, e do submundo também, resolveu me escolher como “bode expiatório” para desestabilizar o grupo ao qual pertenço, o Tudo Pela Ponte, Nada da Ponte, grupo que faz oposição a essa Diretoria desde a eleição de 2017, tendo como Presidente o hoje “anistiado” Abdalla.
Lamento irformá-lo Sebastião. O Sr. escolheu a pessoa errada.

Jamais fui, sou, ou serei racista. Não vou aqui perder meu tempo justificando que tenho amigos negros e coisas do tipo, via de regra essa é uma desculpa dada por pessoas que devem alguma coisa e não é o meu caso.

Minha formação acadêmica é na área de humanas. Fiz Ciências Sociais, estudei por oito anos, graduação e pós. Uma de minhas teses foi sobre POBREZA, DESIGUALDADE E PRECONCEITO.

Em 2005 recebi o Prêmio Mário Covas, concedido pelo Governo do estado de São Paulo. Fui ganhador na Categoria ATENDIMENTO AO CIDADÃO.

Durante 16 anos trabalhei com atendimento a crianças com deficiência. Sei muito bem como é dura a vida dessa gente.

Sim Sebastião, “dessa gente”, pois ao longo desses anos eu só via gente na minha frente. Nunca olhei a cor, sexo ou condição social. Só via gente, ser humano. Inclusive Sebastião, em 2012, num trabalho voluntário eu levei um “monte de gente”, crianças com deficiências de todo o tipo para conhecer o estádio da Ponte Preta e a Unidade Paineiras. Foi uma festa linda, marcante e emocionante. Nesse ano eu não sei o que o Sr. fazia mas eu já trabalhava com GENTE a muito tempo.

Num ato de covardia total o Sebastião pinçou uma frase dentro do contexto do que escrevi e fez um pronunciamento emotivo para uma plateia de adestrados de todos os tipos na reunião do Conselho.

Pessoas que em sua grande maioria não sabem o que significa Ponte Preta e nem pontepretanos são.

Uma plateia formada por Conselheiros funcionários de empresas, de um Pet Shop e parte de torcedores de organizadas, convertidos novos, que estavam ali presentes apenas para bater palmas. Infelizmente os pontepretanos são minoria.

Num ato de covardia me jogou aos leões. Em momento algum fui notificado de tal ocorrência e muito menos tive o direito de defesa. Sequer estava presente na reunião. O Sebastião queria “ato sumário”, expulsão imediata.

Felizmente o mundo ainda tem muita gente decente. É o caso do Sr. Marcos Garcia Costa, que pediu a palavra e exigiu que fosse feito julgamento justo, com amplo direito a defesa. Espero que isso realmente aconteça.

Sua atitude Sebastião, foi covarde. Você insuflou alguns “torcedores organizados adestrados” que estão sendo usados como massa de manobra, que de uma hora para outra tornaram-se Conselheiros da Ponte Preta.

Reze por mim Sebastião. Um boletim de Ocorrência já foi feito e se por ventura eu tropeçar e cair a policia já sabe onde investigar.

Saiba você Sebastião, que se por acaso eu vier a ser expulso da Ponte Preta, clube que eu amo, que vivo intensamente a 55 anos, que jamais tirei um centavo sequer, pelo contrário, coloquei milhares, diferente do Sr. que nem pontepretano é, será pra mim motivo de orgulho.

Triste seria se fosse expulso por Presidentes do passado, pessoas que amavam a Ponte Preta, que construíram uma história bonita, com raízes pontepretanas. Mas o Sr. não, o Sr. não tem essas qualidades.

Deixo aqui um desafio: Busquem em toda a cidade de Campinas, pesquisem a fundo, falem com pessoas, entidades, até mesmo com um possível desafeto meu, tente encontrar algum ato, alguma palavra ou atitude minha que demonstre que sou racista. Vai precisar de uma lanterna para encontrar, a busca será em vão.

No dia 20 de novembro passado, para seu conhecimento Sebastião, eu estava lá no Largo do Rosário, na comemoração do dia da Consciência Negra. Vi seu discurso.

Pena que o Sr. deu uma “passadinha”, passou rápido, fez um discursinho e caiu fora. Na verdade o Sr. foi no evento fazer uma boquinha. Eu fiquei até o fim Sebastião. Acompanhei os discursos, as homenagens e também o show do Olodum.

Estranho, será que um “branco racista” não tem nada mais importante pra fazer num feriado do que prestigiar um evento da Consciência Negra? Pode ser pra você, pra mim não meu caro.

Faço aqui mais um desafio: Sejam fortes Sebastião e Tagino, encham de orgulho a Comunidade Negra de Campinas e as pessoas de bem de todas as raças. Processem aquele homem que diz abertamente, sem pudor algum, com a voz pastosa e babando, que “COMPRA NEGRÃO”.

Força, mostrem que são pessoas de bem, mostrem independência e imparcialidade, processem o falastrão. Por que não o fazem ????

Outro fato curioso que mostra a seletividade do Sr. Sebastião: No mesmo dia, postagens feitas na mesma matéria em que sou acusado de “racista”, e que misteriosamente desapareceu do site da Ponte Preta, aparecem tbm estes comentários:

“Ponte Preta, o time comunista, tiãozinho, lixinho do PT”

“Cadê os jogadores que o FDP do tiãozinho ia apresentar ?”

“VTNC Tiãozinho petista”

“Safados pra mamar na teta já temos muitos”.

Esses comentários estão lá no site. Pergunta: Ser chamado de lixo, safado, FDP é normal? Isso não é ofensivo? Essas pessoas foram processadas?

Com certeza Não. Sebastião ficou mais incomodado porque chamei negro de “GENTE”.

Minha sorte foi selada na reunião do Conselho, quando o Sr. Sérgio Carnielli fez um discurso raivoso e racista. Ao termino da reunião eu interpelei o Sr. Tagino exigindo uma posição dele a respeito das ofensas racistas que ele acabara de ver e ouvir.

Sim, o Sr. Tagino e o Sebastião estavam ali, sentados a mesa, a meio metro do falastrão quando ele perguntou pra plateia o “NOME DO NEGRÃO QUE ELE COMPROU”.

Indignação seletiva Sebastião? Ou somente aquela velha e manjada tática politica: acuse-o do que você é, faça aquilo que você diz que ele faz….dessa forma você distrai a plateia. Respondendo meu questionamento o Sr. Tagino, com um sorriso amarelo disse que era uma brincadeirinha….só isso, uma brincadeirinha.

Lamento muito que o Sr. Sebastião tenha desvirtuado minhas palavras. Lamento mais ainda que ele tenha tentado induzir pessoas incautas. Uma coisa tenho certeza: O Sr.Sebastião não é bobo, muito pelo contrário, é um homem inteligente. Ele sabe perfeitamente a diferença entre uma fala AFIRMATIVA e uma fala RACISTA.

Pena que ele manipulou minhas palavras e se disse ofendido por eu ter chamado negro de GENTE.

Lamento Sebastião, lamento muito se meu modo de agir, tratando negros, brancos, amarelos, homem, mulheres, homossexuais, heteros, como gente e não como uma cor, raça ou condição lhe incomoda tanto.

Da mesma forma lamento muito o que vem acontecendo com a Instituição Ponte Preta nos últimos 22 anos. O processo de destruição total está bem encaminhado. Em breve, muito em breve chegaremos ao fim. E tudo isso com a conivência e passividade de muita gente. Alguns pontepretanos até. Triste demais.

“O mundo estaria salvo se as pessoas de bem tivessem a ousadia dos canalhas” (Nelson Rodrigues)

(Artigo de autoria de Marco Antonio Castiglieri. Aviso: no sábado, o Só Dérbi procurou Marco Antonio para saber sua posição sobre a acusação de ínjúria racial a que foi submetido no Conselho Deliberativo em reunião realizado no sábado, dia 25. Por encontrar-se em compromisso particular ele requisitou a publicação deste artigo, de autoria, para que fosse exposta sua defesa e opinião sobre o assunto. Como um veiculo de comunicação democrático a troca de ideias, o Só Dérbi abriu espaço para Castiglieri e deixa aberto o espaço para replica por qualquer uma das pessoas citadas por Castiglieri no artigo)

8 Comentários

  1. Que artigo mais ridículo! O objetivo era se defender??
    Em primeiro lugar, o fato de outra pessoa ser racista, não te torna menos racista, ambas as frases no início do artigo são racistas… Esse argumento de não ver “cor”, só ver “gente”, é o mais manjado para disfarçar racismo e justificar a imensa predominância de pessoas brancas em posições de poder, como se não existissem negros capacitados para ocupar lugares importantes, seja dentro do futebol ou em qualquer outra ocupação… E como se não existisse a real necessidade de dar espaço a quem sempre é deixado de lado.
    Quer ver se uma pessoa é competente? Dê tempo para ela trabalhar!
    Pq quando uma diretoria é ocupada apenas por homens brancos, a discussão de competência ao invés de “cor” e “sexo” nunca é trazida?
    Por fim, o racismo não é uma opção pessoal, não é uma escolha de vida… Vc pode ter uma trajetória exemplar em qualquer área ou uma formação incrível e praticar um ato racista, o ponto crucial é: você pode pedir desculpas, entender o que aconteceu e tentar crescer a partir disso ou, por puro orgulho ou ignorância, tentar se defender de todas as formas possíveis sem encarar a realidade, sem refletir por um segundo. Aparentemente, você escolheu a segunda opção.

    • Parabéns, deu um show de assertividade, chamou de ridículo um artigo que pensou ser de defesa, mas que na verdade ataca, e muito, os homens que dirigem de maneira obscura e obscena a Ponte Preta, indo do …primeiro lugar …. ao ….Por fim….. sem passar ao menos pelo segundo lugar.
      Parabéns, há tempos não lia tamanha cretinice….
      Se eu fosse Tião, o corintiano, que trouxe Castor , sub reserva do AP e Daniel, sub reserva do Remo rebaixado, já teria tomado vergonha na cara e iría embora.
      Mas não, o corintiano tenta lavar 5 milhões de verba suplementar.
      A quem vai pedir oficialmente?
      Ao SC.
      Não sou de secar, mas que ambos gastem com remédios…
      E a você reitero meus parabéns, vai lá de chinelos proteger seus interesses, é seu direito, mas saiba que o dinheiro também envenena os lambe botas…

  2. Querem expulsar o Marco Antônio Castiglieri por questões políticas, pois ele é um dos conselheiros mais atuantes na defesa da Ponte Preta, radicalmente contra todos os desmandos vistos há anos. Essa denúncia de “injúria racial” é ridícula, pois o que ele comentou foi que respeita todos por igual, independente da cor, sexo, etc. Ninguém devidamente alfabetizado entenderia a frase dele como “racista”

  3. Com tantas questões importantes que envolvem o futuro e o presente da Ponte Preta como clube de futebol, é extremamente lamentável que o assunto que mais se destaque de uma reunião do conselho gire em torno da cor da pele com que cada um nasceu. Até quando isso?

  4. Diz não ser a racista mas esse trecho já mostra o racismo estrutural:

    – Achei que a Diretoria seria composta por gente. Negro, branco, oriental, homem, mulher, pessoas competentes e não escolhidas pela cor, raça, sexo ou religião (minhas palavras, distorcidas covardemente pelo Sebastião.)

    Então menos bem menos

  5. Prezados boa noite!

    Pensei muito antes de tornar público o meu ponto de vista, mas o silêncio me causou desconforto que não me serve.
    Bem, me solidarizo com o autor do artigo, pois sou absolutamente contrário à destruição de reputações e nesses tempos de grande tensão cabe a todos nós reconhecermos coisas básicas e fundamentais como o “amplo direito de defesa”, “o devido processo legal” e que a “culpa” (ou responsabilidade) só se verifica após o transito em julgado de um processo, o que ainda não ocorreu, aliás, nem sei se há um processo.
    Devemos ser cuidadosos com nossos julgamentos, pois com a medida que usamos será usada contra nós e com a Justiça que usarmos seremos julgados.
    De fato o racismo é elemento estrutural e sistêmico no nosso país, devemos combatê-lo sem relativizar a sua gravidade, mas observando sempre “amplo direito de defesa”, “o devido processo legal” e a “culpa” (ou responsabilidade) que só se verifica após o transito em julgado de um processo, o que, repita-se, não ocorreu.

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