Ponte Preta e uma visão diferente sobre rendimento no gramado e atraso nos salários

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Caminho confortável é adotar clichês para analisar determinadas situações. E somos tentados a abraçar tais armadilhas. Vou na maré contrária. O bom desempenho da Ponte Preta contra o Náutico foi atrelado ao fato de que os jogadores estavam com o bolso cheio. Ou minimamente abastecidos para cumprirem seus deveres sociais e financeiros.

Alguns acham que tal fato interferiu no rendimento no gramado. Muitos torcedores, por sua vez, ficaram indignados em pensar na hipótese. Consideram que devem honrar a camisa e pronto. Sob qualquer hipótese.

Pois eu acho que devemos parar de pensar desta maneira e deixar de ficar espantado quando o atleta recebe o que é seu direito e a performance melhora no gramado. Jogador de futebol é antes de tudo é trabalhador. Não há nenhum na face da terra que não fique incomodado, tenso e sem produzir o suficiente se o salário não for pago. É da natureza humana.

Você pode citar a Ponte Preta de 2003, o Guarani de 2011 e o Avaí de 2018 como exemplos positivos. Equipes que estavam com salários atrasados e conseguiram seus objetivos. Vamos tratar esses casos como devem ser: exceções. A regra não é assim. E é natural. Ou o nobre leitor ficaria calmo como um gatinho mimado se ficasse dois ou três meses sem receber?

A cada vez que você exige que um jogador produza o máximo com salário atrasado, indiretamente, você beneficia o dirigente que não cumpriu com sua obrigação. Se eles rendem em potência máxima com escassez, porque o cartola deve ter pressa em colocar tudo em dia?

Se ele está pressionado para “suar sangue” no gramado e conviver com a falta de recursos, que outro fator pode ser usado como pressão? Aviso: não prego corpo mole! Só digo que a queda de produção é concentração é normal e ao invés de condenar devemos utilizar a compreensão.

Não há mais espaço para amadorismos. Profissionalismo no último. Se você tem 100, gasta 80 e guarde 20, nunca 200. E por outro lado, nós, cronistas esportivos e torcedores, precisamos aprender a aceitar que o time não pode dar um passo maior do que a perna.

A Ponte Preta pode pagar salários de R$ 100 mil ou R$ 80 mil mensais? Parece que não. O jeito é trabalhar para garimpar atletas com salários mais modestos e  que produzam de modo satisfatório.

Se continuar neste padrão atual, pode ter certeza: o assunto dos salários voltará a tona. Infelizmente.

(Elias Aredes Junior)