terça-feira , 20 fevereiro 2018
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Até quando Ponte Preta e Guarani vão frequentar a Xepa do futebol brasileiro?

Terça era dia de feira no Jardim Amazonas. Minha finada mãe estabelecia como ritual passar horas no ambiente. Como estudava no período da tarde,  de vez em quando eu acompanhava. Em outros instantes era minha irmã.

A comandante da casa tinha fissura em acordar cedo para adquirir as verduras e os legumes e terminar o passeio com a compra de pastel de um refrigerante caçulinha da Vanucci. Quem tem mais de 40 anos sabe do que falo.

Dona Ester só ficava de péssimo humor quando perdia a hora. Detestava comparecer na hora da xepa. Ou seja, quase no encerramento da feira, com produtos disponíveis de péssima qualidade ou aqueles em bom estado escondidos em bandejas. Preço menor, é verdade, mas por vezes deveria-se apelar aos santos para não comprar algo estragado.

Minha memória passeia pela infância e faz associação com o futebol campineiro. Ponte Preta e Guarani, outrora produtores refinados e de ótimo gosto viraram assíduos fregueses da “xepa do futebol”.

Traduzindo: jogadores com passado recomendável, em fase técnica deficiente e oferecidos a preço de ocasião. Dirigentes no Brinco de Ouro e Moisés Lucarelli assinam o contrato e dirigem-se ao altar para rezar. Querem que algum lampejo apareça e que seja suficiente para respirar aliviado.

Se a contratação der certo, a aquisição foi por custo-benefício bem baixo. E de quebra recoloca um atleta na vitrine. De der errado, a agremiação fica com a fama de servir como abrigo de atletas em decadência.Ou prestes a descer a escadaria da fama.

Veja os casos recentes. Léo Gamalho vestiu a camisa de Avaí, Santa Cruz e no ano passado fez 11 gols pelo Goiás. Neste ano, viveu altos e baixos no clube esmeraldino, rápido em formular um plano para liberá-lo. Considera que ele não é adequado para alcançar o eldorado da divisão de elite. Sem bala na agulha ou criatividade para buscar reforços, a Ponte Preta abre os braços e o recebe. Assim como recebeu Lins, na época contratado como uma aposta.

No Guarani, Paulinho deverá desembarcar com a esperança de reviver seus instantes com a camisa de XV de Piracicaba, Santos, Vitória e Flamengo. Tinha desaparecido. O Guarani surge como negócio de ocasião. O Alviverde, por sua vez, não tem espaço para grandes investimentos. Caiu do céu.

Ao assistir ao quadro, a pergunta emerge: onde foi que os clubes campineiros se perderam? Qual foi o erro? O que acontece para apelar a contratações emergenciais, de afogadilho e não exibem revelações relevantes das categorias de base?

Pense que no passado Guarani e Ponte Preta enfrentavam sim disparidade de renda com os gigantes mas conseguiam trazer gente do naipe de Raí, Djalminha, Washington, Mineiro, Robson Ponte, Marcelo Borges, entre outros.

Dá para dizer: a chegada de Emerson Sheik na Ponte Preta foi um ponto fora da curva, assim como até de Richarlyson. Nomes consagrados e em bom estado técnico deveria ser rotina.

Dirigentes pontepretanos e bugrinos, entretanto, não parecem dispostos a encontrar fórmulas que levem a frequentarem a feira da bola nos primeiros lances iniciais.

(análise feita por Elias Aredes Junior)

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