sábado , 15 dezembro 2018
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Brasil de Oliveira e a humanidade que faz falta ao futebol

“Amigos do Futebol”. A expressão dita por Brasil de Oliveira ecoava pelas ruas de Campinas por anos e anos. Apesar da relutância de alguns, foi o melhor comentarista do rádio campineiro de todos os tempos ao lado de Sérgio Salvucci. Não só por causa do seu faro para analisar futebol mas por transmitir algo básico: futebol é para fazer amigos. Criar laços, sentimentos, companheirismo. Forjar amizades que valem para a vida inteira.

Do seu jeito, Brasa cumpriu o mantra á risca. No final do ano, seguia viagem pelo interior do estado com o Sentimento, um time montado para ações beneficentes. Craques e pernas de pau entravam na roda gigante. Largavam famílias, esposas e pais para seguir pelas estradas do interior paulista.

Nestas horas que vejo o quanto faz falta uma figura como Brasil de Oliveira. Tudo ficou mercantil. Até os jogos amistosos de final de ano. Seres humanos nefastos, de péssimo caráter e com vaidade exacerbada encaramos todos os dias. No trabalho. No bairro. Mas existem pessoas de boa índole. O futebol abre sua passarela para gente com índole, caráter, decência.

Hoje não querem desfilar. O futebol virou palco daquilo que existe de pior no ser humano. Individualismo e ganância por dinheiro elevado a última potência. As pessoas? Ah, as pessoas que fiquem em ultimo plano. Ou como ouvi de uma pessoa: “Quem tem espírito comercial não tem sentimento e nem caráter. Machuca sem piedade”.

Nas décadas de 1970, 1980 e meados de 1990, Brasil de Oliveira, com sua roupa desleixada, sua fixação por Beatles e Cassius Clay e por futebol, seja qual fosse o local, dava um chute no desprezo que sentia dos próprios companheiros de profissão (ninguém admitia, mas em grande era por sua opção sexual) e nos lembrava que até no futebol valia a pena viver. Conviver. Refletir. E guardar momentos únicos.

Um dia, nós, cronistas esportivos, dirigentes, jogadores, técnicos e outras figuras da bola redescobriremos o valor humano do futebol. Tomara que não seja tarde.

(Texto de autoria de Elias Aredes Junior)

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