Fumagalli, Evair e 73 gols que exibem duas épocas distintas do Guarani

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Aos 36 minutos do segundo tempo o cruzamento efetuado do lado esquerdo encontrou Fumagalli, eficiente na conclusão e protagonista da vitória do Guarani sobre o Boa Esporte (MG) por 2 a 1.

O camisa 10 chegou ao seu 73º gol. Igualou-se ao centroavante Evair. É a típica estatística reveladora de como o futebol é imprevisível e com explicações desencontradas.

Evair e Fumagalli são expressões de dois tempos distintos. Períodos que podem ser definidos por duas palavras: celebração e resistência.

Evair é a tradução de um dos últimos períodos dourados do Guarani. Seus 73 gols ajudaram o Guarani e sagrar-se vice-campeão brasileiro em 1986 e também no ano seguinte, quando fez a controversa decisão diante do Sport.

Ao balançar as redes, Evair ajudou o Guarani a disputar a final do Paulistão de 1988 contra o Corinthians e ver o titulo escapar por entre os dedos. Sem contar suas participações nas edições da Copa Libertadores de América. Independente das disputas políticas entre Beto Zini e Leonel Martins de Oliveira, o Guarani era um “player” atuante no futebol. Tinha ambições e objetivos.

Com Fumagalli, a trajetória é diferente. Bota diferente nisso. Na sua primeira passagem, nos anos 2000 a 2001, o Guarani já era um clube envolvido com problemas financeiros e focado em garantir uma posição intermediária nas competições nacionais e estaduais. Basta dizer que Fumagalli entrou durante o confronto com a Portuguesa, que terminou sem abertura de contagem e que decretou no dia 28 de abril de 2001 o primeiro rebaixamento do Guarani na história. No Brasileirão, nova decepção: na Copa João Havelange de 2000, entre 25 participantes, o Alviverde ficou na 13ª posição com 35 pontos e sequer foi para a fase seguinte. No ano seguinte, em 2001, entre 28 times, Fumagalli ajudou o Guarani a ficar na 19ª colocação.

O prenúncio do ínício do Século 21 virou realidade. Nas suas outras duas passagens, Fumagalli transformou-se em um personagem de técnica e resistência. Impossível ignorar seu papel no vice-campeonato paulista de 2012. Só que também é verdade que o atual camisa 10 bugrino disputou 12 dos 38 jogos da Série B que decretou o rebaixamento bugrino em 2012 e ano seguinte atuou em quatro dos 19 jogos da campanha que deixou o Guarani na lanterna do Paulistão. Seus gols se transformaram em registros posteriores de decepções colhidas em três edições de Série A-2 e outras quatro de Série C.

Fumagalli deve ser homenageado e reverenciado por tudo que faz e fez pelo Guarani. Mas seus 73 gols são bem diferentes dos 73 anotados por Evair. A história por vezes é cruel, mas sua verdade liberta e é esclarecedora.

(análise feita por Elias Aredes Junior- Foto de Israel Oliveira)