O futebol brasileiro tem uma heroína. Sem nome ou sobrenome. Mas com dignidade. Obrigado. Siga em frente

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Ela não tem nome para a opinião pública. Nem sobrenome. Leva uma vida modesta. Sem luxos. Reside com um amigo e tem apenas uma ambição: trabalhar e levar uma vida correta. Não sabemos se é morena, loira, índia, negra. Temos uma convicção: é gigante. Esta personagem anônima é nova heroína do futebol brasileiro. Foi capaz  de derrubar um Golias entronizado no comando da CBF.

Seu heroísmo começa por ser mulher. No Brasil. Certamente em outras oportunidades foi vitima do machismo e da violência silenciosa imposta por homens. Todos os dias. A cada minuto ou segundo precisa ultrapassar obstáculos: a violência doméstica, os baixos salários, o ambiente tóxico em cada lugar, a ausência de condições de trabalho. Pense este contexto inserido no futebol, um laboratório para propagação de todo comportamento opressor.

Esta heroína, mulher inigualável, sem nome e identidade para preservação de sua integridade física e mental, conquistou um titulo maior do que qualquer gol feito por Marta ou pelas destemidas jogadoras comandadas por Pia Soundhage na Seleção Brasileira.

Ela desafiou o poder. As denúncias mostram. Minutos, horas, dias, meses submetida a uma tortura psicológica degradante. Repugnante. Assédio. Sexual e Moral. Segundo reportagem da dupla Gabriela Moreira e Martin Fernandez, esta mulher recusou uma proposta de R$ 12 milhões para ficar calada. Para encerrar a denúncia. Para mentir à imprensa. Sua resposta foi um NÃO para o detentor do poder na CBF. Com seu gesto, ela respondeu sim para retidão, dignidade, honradez e caráter.

Hoje ela está resguardada. Preservada. O dia em que colocar o pé para fora de casa e voltar a exercer o seu trabalho na CBF retornará de cabeça erguida. Poderá olhar de cima para baixo para todos aqueles homens engravatados, novos ou experientes, que de certa forma, seja por ação ou omissão,  deixaram o futebol chegar a esse estado de coisas.

Neymar? Tite? Juninho Paulista? César Sampaio? Que nada. Quem veste a camisa 10 hoje no prédio da CBF é esta mulher. Marcou um golaço e comprovou que cidadania e retidão valem a pena. Mesmo em ambiente tóxico e preconceituoso como do futebol brasileiro. É uma inspiração para todas as mulheres continuarem na luta para mudar o futebol brasileiro, seja no gramado, gabinetes e também na imprensa.

Seja qual for o lugar em que esteja só posso lhe dizer uma palavra: obrigado. E Siga em frente.