segunda-feira , 21 Maio 2018
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O “Rei” acredita na volta do dérbi

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Atual treinador da Seleção Brasileira de futebol feminino, Oswaldo Alvarez, o Vadão, não esquece de Guarani e Ponte Preta. Revelado pelo Mogi Mirim em 1992, Vadão construiu nos estádios Moisés Lucarelli e Brinco de Ouro a marca do seu trabalho com vitórias, revelação de jogadores e o respeito das duas torcidas, marca que ele mesmo admite ser difícil conquistar.

Nesta entrevista que inaugura o SóDérbi o treinador faz uma retrospectiva de suas passagens nos dois clubes e traça uma perspectiva otimista de retorno do principal clássico do interior. “Veremos os dois clubes disputando grandes dérbis”. Confira os principais trechos da conversa:

O legado construído

É  difícil você trabalhar nos dois clubes que são tão rivais e ser aceito nos dois. Tive quatro passagens na Ponte Preta e quatro no Guarani. Tive bons momentos na Ponte Preta e bons momentos no Guarani. Em dérbis eu não perdi nenhum. Conseguimos bons resultados para os dois. Está muito equilibrado. E isso me deu tranquilidade para transitar  nas duas agremiações. Isso é difícil acontecer. Eu trabalhei três vezes no Atlético Paranaense e não trabalhei no Coritiba.

Em Campinas, quando eu trabalho em um eu tenho o respeito do outro, assim como respeito o outro lado quando trabalho em um. Alguns técnicos conseguiram isso como o Zé Duarte, mas não é fácil.

O melhor jogador com quem trabalhou na Macaca

No momento em que estive na Ponte Preta o Washington foi para a Seleção Brasileira. Eu tive três passagens com ele, no Japão, na Ponte Preta e no Atlético Paranaense, quando levei quando ele esteve com problema cardíaco. Ele se recuperou e foi o maior artilheiro da história do Campeonato Brasileiro. Trabalhei  ainda com muitos atletas bons, como Mineiro, Piá e Ronaldão.

O melhor jogador com quem trabalhou no Guarani

No Guarani, trabalhei com Amoroso, mas ele não jogou porque estava lesionado. Teve um jogador que trabalhou mais tempo, que foi o Robson Ponte, em que buscamos muito novo, lá no Juventus (SP). Depois teve uma carreira brilhante pois jogou na Alemanha e no Japão. Minha passagem com Luisão e Amoroso foi curta. E Robson Ponte era um jogador que representava o futebol brasileiro, com dribles curtos. Só que trabalhamos muito tempo no Guarani e com muitos jogadores bons.

 O melhor dirigente com quem trabalhou no futebol campineiro

As características do Sérgio Carnielli e do Beto Zini são diferentes. O Carnielli é uma pessoa voltada ao lado empresarial e se encontrava pouco com a gente. Quando se encontrava estava sempre sério e vinha para decidir. O Beto (Zini) estava sempre no campo e sentava no banco de reservas. Ele era atuante na parte administrativa e no futebol. Não existia um treinamento que estivesse por lá. Só se estivesse viajando. O Beto Zini fez muito pelo Guarani, em uma época em que ele conseguiu fazer com que Guarani se sentisse grande. Tudo era do bom e do melhor em termos de estrutura e a capacidade que ele tinha para trazer jogadores era algo impressionante. E ele adorava jogadores de nome e ás vezes até problemáticos. Por vezes ele achava que no Guarani jogaria e com ele jogou bem. Ele tinha habilidade para lidar com esse tipo de coisa. Já o Leonel (Martins de Oliveira, com quem trabalhou entre 2009 e 2010)  era mais afastado e não queria saber quem iria jogar ou não.  Já o Sérgio Carnielli é difícil encontrar uma pessoa com uma capacidade administrativa como ele.

Marco Antônio Eberlim

Foi o melhor diretor de futebol que eu tive. O diretor de futebol é aquele que fica em contato com o treinador e é o parâmetro do técnico com o presidente. Ele sabia lidar com isso como ninguém. Foi disparadamente o melhor dirigente com quem trabalhei.

O papel atual de Ponte Preta e Guarani no futebol brasileiro

Eu acho que atravessamos uma crise geral não só no futebol mas no país. Se o país melhorar os clubes melhoram junto. O Guarani teve a venda do Estádio e era preciso um ponto de reação e acho que não existia outra alternativa. Era pagar as dívidas e começar do zero. Foi o que aconteceu com a Ponte Preta por intermédio do Sérgio Carnielli. Esperamos que o Guarani reaja, que a Ponte Preta continue na sua caminhada para que estejam no mesmo nível. Obvio que o torcedor prefere que o rival esteja em situação inferior, mas o que engrandece para o futebol brasileiro é que ambos estejam bem. Isso aconteceu em outras décadas e as duas equipes sempre serviram a Seleção Brasileira, porque eram fortes nas categorias de base e no futebol, o que fez com que Campinas fosse conhecida como capital do Futebol.

Prejuízo com a distribuição das cotas

Os clubes menores foram prejudicados. Mas o que prejudicou muito (Guarani e Ponte Preta) foram as administrações porque (em determinada ocasião) Guarani e Ponte Preta chegaram no fundo do poço. Isso contribuiu e ao mesmo tempo que houve a mudança na lei do passe, pois os dois clubes eram os principais reveladores do Brasil. Quem saiu de Ponte Preta e Guarani sempre se dirigia aos clubes grandes.

A diferença na distribuição das cotas é descomunal e faz com que o grande seja mais grande e o menor nunca posso alcançá-lo. Fica difícil.

A volta dos dérbis inesquecíveis

Eu sou otimista. Infelizmente o Guarani teve que vender seu patrimônio mas o clube teria que recomeçar. Esperamos que o país melhore e algumas coisas sejam ajeitadas na lei do passe, algo que tenho falado há muitos anos. Assisti a Copa São Paulo e não vi um jogador diferenciado. Isso acontece porque a formação de atletas é prejudicada pelo sistema. O Guarani vive com dificuldades enquanto que a Ponte Preta continua bem administrada e tem categoria de base em boas condições. Acredito que o Guarani vai reagir e veremos os dois clubes disputando grandes dérbis.

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