Polícia Militar contra a torcida bugrina e uma constatação: como política de segurança, a torcida única é um fracasso retumbante!

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O empate sem gols entre Guarani e Ponte Preta não tira de foco o principal derrotado no dérbi realizado no último sábado: a Polícia Militar e o Ministério Público. Com um ato inconsequente e sem qualquer tipo de planejamento, protagonizou atos de violência na chegada da delegação bugrina. Um acinte. Absurdo sem precedentes. Para quem quiser acompanhar mais detalhes, recomendo a leitura do artigo de autoria de Marcos Ortiz, do site Planeta Guarani.

Sem contar os relatos de tentativas de agressão espalhadas pela cidade e de tentativas de confrontos entre bugrinos e pontepretanos. Sejamos sinceros: a torcida única em Campinas é um fracasso. Retumbante.

No ano passado, tivemos uma morte registrada no bairro São Bernardo. Confusões aqui e ali sempre são contadas para quem quiser ouvir. Prova de que a questão da torcida organizada é analisada de maneira rasa, superficial e diria até medíocre pelas autoridades.

A violência no futebol é apenas e tão somente reflexo daquilo que acontece na sociedade. Uma sociedade em que atos de agressão justificam para vencer embates políticos, brigas de família, disputas societárias e até embates religiosos.

Por que o futebol seria diferente? Por que a pessoa que é violenta e truculenta em casa, no trabalho e no bar seria diferente no estádio de futebol?

A torcida única era apenas uma cortina de fumaça para esconder a falta de disposição das autoridades públicas em formular uma política séria, profissional, planejada e com metas com começo, meio e fim. Sem apelar para os conceitos de “lugar comum” espalhados na sociedade. Antecipar-se aos problemas. Exemplo: que perigo representava um torcedor bugrino em cima do ônibus da Delegação? Perigo para ele, claro. Agora, para a coletividade, zero. Então, porque ficar raivoso?

Se a torcida única fosse realmente a única saída, como explicar o esforço empreendido no Rio Grande do Sul, em que temos torcida visitantes nos clássicos grenais e torcida mista? O que difere Porto Alegre de Campinas?

A torcida do Guarani reclama que a torcida pontepretana recebe privilégios da Polícia Militar. Os pontepretanos dizem a mesma coisa. Esse tipo de discussão só irá terminar quando a Polícia Militar tratar a torcida organizada como deve ser: um tema complexo, profundo, cheio de contradições e que não pode receber remédios paliativos para a sua cura. O que fugir disso é paz de cemitério.

(Elias Aredes Junior)

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