domingo , 23 abril 2017
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Ponte Preta e Guarani em clima de decisão. E uma Campinas que não volta mais

Aqui e ali as reclamações pipocam sobre o saudosismo dos artigos publicados neste Só Dérbi. De relatos e ideias sem possibilidade de combinar com um futebol que não existe mais. O passado não é combustível do futuro e sim espelho. Olhamos para não cometermos erros. Ou para resgatar hábitos saudáveis. Nos últimos cinco dias a cidade de Campinas vive a expectativa de dois jogos decisivos. A Ponte Preta está na dependência de segurar o ataque palmeirense por 90 minutos e disputar nova final de Paulistão. O Guarani, por sua vez, lutará por mais três pontos em Batatais para sonhar com o acesso. Deveria gerar um clima de comoção na cidade. Não gera mais. Tudo foi transferido para o mundo virtual.

Nas décadas de 1980 e 1990, em circunstância igual o Largo do Rosário estaria lotado de senhores, jovens e adultos sentados nas calçadas discutindo e debatendo as alternativas para Gilson Kleina e Vadão levarem seus times á vitória. Pessoas comuns discutiram o tema até cansar nos pontos de ônibus e bancas de jornais. Nos tempos atuais, seria até bom imaginar as praças de shopping lotados com pessoas ávidos por novidades ou ligações de telefone celular para trocar ideia sobre os últimos acontecimentos. A rivalidade tinha componente fundamental: calor humano.

Não sei se piorou ou melhorou, mas a internet transformou torcedores em integrantes de guetos. O pontepretano só debate sobre seu time em grupos de Whatsapp ou Facebook. Com pontepretanos. Ou manda recados pelo twitter. Receituário repetido ao bugrino.

Convivo com todo tipo de gente e é raro ouvir o relato de uma pessoa que marcou um encontro com um grupo de amigos para discutir futebol em um bar ou estabelecimento da cidade. E que englobe todas as tribos. Ou seja, o pontepretano falar do que espera o bugrino. O torcedor do Guarani analisar quais os desdobramentos a serem encarados pela Macaca no Allianz Park. Pode acontecer, mas é raro. Descrevo uma cena real, ocorrida em diversos momentos da vida campineira. Hoje é tudo história. A intolerância perfilou seus projetos na vida real e transformou as redes sociais em arena para troca de insultos.

Gostamos de colocar a culpa pela violência do futebol nas torcidas organizadas. Elas seriam as vilãs pelo esvaziamento dos estádios de futebol e o afastamento das famílias. É uma parte da explicação. Não é total. O futebol antigamente era  reflexo da vida em comunidade, da troca de afeto entre vizinhos, amigos e até colegas de trabalho. Os jogadores eram famosos, ganhavam uma boa grana mas tinham a noção de que representavam um símbolo, uma parte de uma comunidade. Que era a totalidade de uma cidade, estado ou país.

Transformar o futebol em negócio e entretenimento era inevitável. A obsessão pelo dinheiro, fama e sucesso tirou de cena o torcedor e abriu as portas ao cliente. Que trouxe aspectos positivos como a obrigatoriedade da profissionalização do futebol. Por outro estraçalhou com um sentido básico: o bugrinos  e pontepretanos eram rivais que por vezes ultrapassavam do ponto. Hoje são oponentes que devem ficar aprisionados nas grades invisíveis das redes sociais. Sem contato. Uma pena.

(análise feita por Elias Aredes Junior)

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