“Pontepretanos” campeões da América. Por Pedro Benedito Maciel Neto

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Pedro Benedito Maciel Neto

O Brasil viveu um incômodo jejum de quarenta anos sem vencer a Copa América. De 1949, ano de um título histórico, até 1989, a Seleção Brasileira acumulo derrotas e ausências. A escrita só foi quebrada sob o comando de Sebastião Lazzaroni, quando o Brasil venceu, convenceu e encheu a torcida de expectativas para a Copa do Mundo da Itália, em 1990.

O elenco campeão de 1989 contava com Taffarel, Acácio e Zé Carlos no gol; Mazinho, Mauro Galvão, André Cruz, Branco, Ricardo Gomes, Josimar, Aldair e Cristóvão na defesa; Geovani, Valdo, Tita, Alemão, Dunga e Silas no meio-campo; e Bebeto, Romário, Renato Gaúcho, Baltazar e Müller no ataque. Muitos deles seriam consagrados campeões do mundo em 1994 ou vice-campeões em 1998.

No meio desse esquadrão de 1989 brilhava o pontepretano André Cruz – o zagueiro mais elegante e leal que tive o privilégio de ver atuar, tanto com a camisa da Ponte Preta quanto nos gramados da Europa.

Na comemoração do título do Sporting Clube de Portugal, em Lisboa, da qual tive o prazer de estar presente, o lendário goleiro dinamarquês Peter Schmeichel, com quem André jogou no Sporting de Lisboa, me disse: “Cruz é o mais seguro defensor com quem joguei na minha carreira”. A afirmação de Schmeichel foi prontamente referendada pelo então jovem Beto, titular da zaga de Portugal em duas Copas do Mundo.

Mas a história da Macaca na Copa América vem de muito antes. Outro ícone com passagem pela Ponte Preta vestiu a camisa da seleção, que era branca com detalhes em azul, e ergueu o troféu continental: refiro-me a Nininho (Antônio Francisco), um centroavante fantástico nos anos 40 e 50. Nascido em 6 de novembro de 1920, Nininho formou ao lado de Julinho Botelho, Renato, Pinga e Simão o ataque mais avassalador da história da Portuguesa de Desportos – clube que defendeu ao lado da nossa Ponte Preta em sua brilhante trajetória.

Nininho integrou o elenco da Seleção Brasileira na Copa América de 1949, disputada no Rio de Janeiro e em São Paulo, quando o Brasil conquistou o tricampeonato sul-americano ao massacrar o Paraguai por 7 a 1 na grande final, em São Januário.

Contudo, a grande atuação de Nininho naquele torneio ocorreu no dia 10 de abril de 1949, no Pacaembu, na vitória avassaladora sobre a Bolívia por 10 a 1. Diante de quarenta mil torcedores, o atacante pontepretano deu um show à parte e marcou três gols. Jair Rosa Pinto, Zizinho (2), Claudio Pinho (2) e Simão (2) completaram o placar, enquanto Victor Agustin descontou para os bolivianos.

Nininho nos deixou em 8 de outubro de 1997, em Campinas. Morador do tradicional bairro da Vila Industrial, deixou duas filhas e um casal de netos – eu tenho a honra pessoal de ser advogado de uma de suas filhas.

Resgatar um pouco de história e prestar esse reconhecimento não é apenas gratificante; é necessário. A memória futebolística de Campinas e da Ponte Preta merece ser eternizada.

Por isso, faço um convite e um pedido aos companheiros pontepretanos: ajudem-me a enriquecer este resgate. Quem mais se lembra de outros jogadores que vestiram o manto da Ponte Preta, disputaram a Copa América e trouxeram o título para a nossa Seleção?

Pedro Benedito Maciel Neto, 62 anos, advogado e pontepretano -pedromaciel@macielneto.adv.br (Foto de Diego Almeida-Pontepress)