Presidente do Conselho Deliberativo da Ponte Preta desrespeita ex-presidente Marcos Garcia Costa. Ou melhor: não tem consideração com a própria história da Ponte Preta

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O poder requer responsabilidade. Ter a noção do papel exercido. Especialmente nos espaços institucionais. Primeiro afro brasileiro a ocupar a presidência do Conselho Deliberativo da Ponte Preta, o advogado Tagino Alves dos Santos, ficou encarregado de conduzir neste sábado a reunião do Conselho Deliberativo que abriria espaço para apresentação do projeto da Arena às margens da rodovia Anhanguera e que agora está a cargo da WTorre.

Infelizmente, a sua condução nos debates na reunião virtual gerou descontentamentos e demonstrou falta de tato para a condução  e a exposição dos argumentos contrários.

Este jornalista apurou que o ex-presidente da diretoria e do Conselho Deliberativo, Marcos Garcia Costa teve o seu direito de manifestação prejudicado pela atual mesa do conselho. Os relatos dão conta de que Marcos Garcia pediu para Tagino uma resposta de um requerimento essencial para delimitar quem poderia participar ou não da discussão e votação do projeto da Arena apresentado pela W/Terra.

Tagino teria respondido que o tema “não era pertinente” e de quebra interrompeu o ex-presidente por três oportunidades. Depois, concedeu um minuto para declaração.

Lógico que após a publicação deste texto algumas versões vão surgir sobre o episódio. Prefiro analisar o simbolismo do fato.

É elogiável a tentativa de diversidade na Ponte Preta. Mulheres e negros ganharem lugar de fala. Mas diversidade sem respeito tem pouco efeito prático. Ou nenhum. Marcos Garcia Costa é uma figura emblemática na vida pontepretana. Ocupa há mais de 50 anos uma cadeira no Conselho Deliberativo, foi presidente da diretoria em um momento dramático da história do clube na década de 1980 e esteve a postos para ajudar e colaborar na construção de um clube moderno e antenado.

O gesto de Tagino não é apenas um desrespeito, mas principalmente uma tentativa de colocar na lata do lixo uma biografia impecável, inclusiva e correta.

Respeito que deveria ocorrer com personagens como Peri Chaib, Lauro Moraes, Nivaldo Baldo, Zaiman de Brito Franco, entre outros. Modernidade não é borracha para apagar os feitos de quem já fez muito.

Não há como construir uma nova Ponte Preta sem respeito e democracia. Pense nisso.

(Elias Aredes Junior)