sábado , 22 setembro 2018
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Quem comemora o cerco as torcidas organizadas desconhece a história da Ponte Preta

Torcedores desavisados, jornalistas elitistas, dirigentes sem lastro histórico e integrantes do poder judiciário celebram que o confronto de domingo diante do Fortaleza, no estádio Moisés Lucarelli, será o primeiro do projeto experimental da Federação Paulista de Futebol (FPF) em que os torcedores organizados serão isolados e sem contato com os outros setores do estádio.

Não vou gastar o meu latim ao descrever que aquilo detectado como revolucionário a primeira vista é nada mais nada menos do que uma atitude preguiçosa para deixar de atacar os principais problemas da violência nos estádios. Se contarmos todos os integrantes das torcidas organizadas, apenas 6% são responsáveis por atos de violência de acordo com o sociólogo Mauricio Murad.

Ao invés de ações educativas de médio e longo prazo e endurecimento das penas, parte-se para uma estratégia que, no fundo, quer apenas e tão somente criminalizar seus integrantes. Seria o mesmo se seu irmão fosse um criminoso e a Polícia entrasse na sua casa e prendesse o seu parente, mas também todos da família, inclusive você. Motivo: estava com o delinquente no ato da prisão. Pouco importa se você for inocente.

O mais grave nem é essa estratégia segregacionista. Pior é que quem aplaude tal expediente prova que não conhece a própria trajetória do clube.

Você, raivoso contra as torcidas organizadas, deveria saber que o hino oficial do clube, de autoria de Renato Silva, foi originariamente composto para a Torcida Jovem em meados da década de 1970. A TJP é uma filial do Lions Club por uma acaso? Nada disso. É uma torcida organizada. Se contarmos as epopeias de acesso em 1989 na Divisão Intermediária do Paulistão, em 1997 na Série B do Brasileirão e mesmo nos últimos acessos em 2011 e 2014 não há como desprezar o papel de todas as torcidas na montagem de caravanas e mobilização de torcedores.

O que dizer então da atual estrutura da Ponte Preta, que conta com ex-membros dessas entidades? Cláudio Henrique Albuquerque, é sabido por todos, tem sua origem nas torcidas organizadas.

Pergunto: como ele e outros, com o histórico dentro destas entidades, permitem esta criminalização inconsequente e sem uma análise criteriosa para separar o joio do trigo? Porque em qualquer pesquisa realizada em ambiente acadêmico o perfil detectado é o mesmo: pessoas pobres, em sua maioria desempregadas e que viram nas organizadas a única saída para conviver e acompanhar o seu time de coração.

Ninguém pede impunidade aos que cometem crimes. Nada disso. Estes devem ser detectados e punidos. Nossa provocação tem a meta de instigar a mente do torcedor e fazê-lo entender que os malfeitores devem ser presos e punidos e a instituição deve ser preservada.

A Ponte Preta é um clube popular, de massa, de operários, negros e pobres. Você pode esbravejar e até soltar impropérios preconceituosos, mas não evita a constatação de que as torcidas organizadas fazem parte da linha do tempo da Macaca. Expurgá-las nada mais é do que um preconceito velado contra quem conta o dinheiro suado para assistir ao seu time do coração. E deveria ter o direito de sentar onde quiser. Longe ou próximo da torcida organizada.

(análise feita por Elias Aredes Junior)

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2 Comentários

  1. Me amigo Elias !! Trato você como amigo pois, aprendi a lhe respeitar pelos comentários robustos no seu antigo emprego. Desde que você de lá saiu, prometi a mim mesmo que, não escutaria mais aquela rádio… e assim o é até hoje. Sou nascido ( 1968 ) e criado na Rua Proença (Atual ), entre as ruas Padre Antonio Joaquim e Boaventura do Amaral. Portanto, fui testemunha ocular da paixão que a Ponte Preta exerce em nós, meros torcedores. Desde o jogo contra o Taubaté, em que houve um penallty, se não me engano, para a Ponte, e o Taubaté não deixou cobrar.. O pau comeu do lado de fora, eu era moleque, e estava com o meu Pai… E ele foi amedrontado pela cavalaria da polícia, na escadaria, entre o estádio e a rua proença. Portanto, me sinto no dieito de falar… O mundo de hoje, é bem diferente daquela época citada acima… Aqueles que, frequentam a torcida “organizada” nâo estão lá para torcer, e sim, para praticar todo o tipo de atrocidades, que a participação nestas “organizações” acobertam os seus atos ilícitos. Como citei acima, acompanho, de perto, todos os escárnios cometidos nos arredores do estádio, com a complacência da ” diretoria ” da minha amada Ponte Preta, inclusive, no último episódio, do rojão lançado, para comemorar o gol de empate contra o Oeste. E agora, mais uma vez, a minha Ponte Preta, com todas a s suas limitações, impostas pelos seus limitados “dirigentes”, será punida! Portanto, meu amigo Elias, Não se trata de uma questão de, segregação, ou preconceito. E sim, do que é certo, ou errado! E para mim, hoje, O errado está certo, e o certo, está errado !!

    Grande abraço !!

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