Sérgio Carnielli pode ou não pode participar do colegiado do futebol montado por Tiãozinho? Só Dérbi responde para você

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No dia 24 de novembro de 2011, o então presidente da Ponte Preta, Sérgio Carnielli foi afastado da função de presidente do clube. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo apontava irregularidades no procedimento de montagem do balanço financeiro da sua administração.

O problema foi que a empresa contratada para auditar a prestação de contas da equipe durante o  período de 2006 a 2008 tinha como sócio o empresário Vanderlei de Araújo, que participava de reuniões do Conselho Deliberativo da Macaca e da ‘Comissão Pró-construção da Arena Ponte Preta’. Na primeira decisão judicial, a empresa não poderia fazer o balanço financeiro do clube, pois pela legislação a pessoa designada não poderia ter nenhum vinculo com a instituição.

Em janeiro de 2013, o então juiz da primeira Vara Cível de Campinas, Renato Siqueira de Pretto, ratificou o afastamento de Carnielli do cargo por entender que as auditorias de 2007 e 2008 não foram independentes. Ou seja, Carnielli foi proibido de exercer qualquer atividade administrativa. O afastamento é válido até março de 2020.

Diante disso,  figuras da oposição reclamaram quando o presidente de honra foi designado para compor o colegiado de futebol montado por Sebastião Arcanjo. Como o grupo tem uma função deliberativa e que interfere nos destinos do clube, isso, na opinião de oposicionistas ouvidos pelo Só Dérbi configura infração a sentença.

O atual presidente da Ponte Preta e sua diretoria executiva pensam diferente. Em resposta enviada por intermédio da assessoria de imprensa, eles ratificam que não há qualquer ilegalidade na atividade feita por Sérgio Carnielli. “As comissões são consultivas e foram criadas pelo presidente em vários departamentos, não só no futebol. É como um conselho do presidente em cada área. Não há formalização porque não é um órgão da Ponte Preta ou nenhuma contratação. Não há impedimento no Sérgio Carnielli ser ouvido pra falar de futebol. O afastamento dele é administrativo”, disse a diretoria por intermédio da assessoria de imprensa.

Autor da ação que afastou Carnielli do poder, o ex-diretor social da Ponte Preta, André Carelli, tem uma visão oposta ao tema. “Primeiro precisamos entender qual a finalidade das comissões. Se a comissão tem o poder de decisão, sim, está infringindo o estatuto e a ordem judicial. Se a comissão toma decisões e ele faz parte a infração é clara”, afirmou o ex-dirigente.

Outros dois advogados consultados pela reportagem do Só Dérbi deram dois adendos. Que sem verificar a decisão judicial não é possível verificar se existe impedimento para participação de  Carnielli.

Outra questão colocado por um dos especialistas é se esse colegiado legalmente está previsto na ordem estatutária do clube.  Ou seja, se só existe de fato. Diante disso, para um questionamento jurídico, quem realizar o questionamento deverá demonstrar ações concretas que esse conselho delibere.

(texto e reportagem: Elias Aredes Junior)