Sérgio Neri e a constatação: a máquina do tempo está travada no Guarani

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Sérgio Neri foi relembrado pelo torcedor do Guarani. Amor e compaixão na veia. Em contrapartida, o ex-arqueiro foi vitima de um apagão da memória coletiva que gerou frutos amargos.

Tenho certeza de que alguns torcedores sequer sabem a importância de João Paulo, hoje presente nas categorias de base.

Vou além: um bugrino abaixo dos 30 anos sabe quem foi Marco Antonio Boiadeiro ou Zé Mário? E Carlos Gainete? E Pedro Pires de Toledo? Dimas Monteiro? Você sabe quem é?

Parece uma idiotice metralhar perguntas deste naipe para um clube do tamanho do Guarani. Um time campeão brasileiro de 1978, quarto lugar da Copa Libertadores e foi campeão da Taça de Prata de 1981 e depois vice-brasileiro em 1986 e 1987. Parece que nada disso serve.

A máquina do tempo do Guarani parou em 1978. Digo de cara: os ex-jogadores não têm qualquer relação ou culpa. Merecem todas as homenagens pelo titulo e pela celebração dos 40 anos da conquista.

Só que o Guarani é 1978 e muito mais. Campeão por campeão, será que alguém conhece e fala de de cor e salteado os titulares que venceram a Anapolina sob o comando de Zé Duarte?

Jornalistas deveriam saber na ponta da língua, torcedores também. Deveríamos aprender que a formação de Birigüi; Miranda, Jayme, Edson e Almeida; Edmar, Jorge Mendonça e Ângelo; Lúcio, Marcelo e Capitão tem um lugar na história de relevo. Jogadores para serem relembrados e homenageados. Inclusive por nós, cronistas esportivos.

Apagão que afetou as campanhas de 1986, 1987 e 1988. A máquina do tempo bugrina parece travada. É até milagroso que Amoroso tenha superado qualquer campeão de 1978 entre a torcida. Sua idolatria é caso para estudos, especialmente de uma campanha que massacra na memória afetiva todos os outros concorrentes.

Este esquecimento involuntário pela trajetória de outros atletas da história geram consequências. Desagradáveis por sinal. Hoje é Sérgio Néri. Amanhã poderá ser outro.

O que não pode é o Guarani não abraçar a sua história. Ignorar jogadores eternizados em dribles, defesas e milagres nos gramados.

É hora de destravar a máquina do tempo.

O ano de 1978 não pode ser esquecido.

Jamais.

Nunca.

Mas a dignidade e heroísmo estão em todo lugar. Basta procurar.

(análise feita por Elias Aredes Junior)