terça-feira , 19 setembro 2017
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Sociólogo comprova em livro o que parece impossível: é possível combater a violência no futebol e preservar as torcidas organizadas

Neste último final de semana, o Majestoso e o Brinco de Ouro não chegaram a receber em cada um de seus jogos 4 mil pagantes. A violência das torcidas organizadas é  enumerada como um fator que afasta consumidores e fãs. Pois este desejo de transformar o futebol em local de harmonia, independente das condições dos estádios, tem uma nova arma, que é o livro “A Violência no Futebol-Novas pesquisas, novas ideias e novas propostas”, de autoria do sociólogo e professor Mauricio Murad e editado pela Benvirá.

Em 264 páginas, o professor demonstra os equívocos das forças de segurança pública e da própria imprensa para analisar o fenômeno. Especialmente porque a violência presente dentro dos estádios não está dissociado da barbárie produzida e gerada nas ruas e em outros ambientes. Prova disso é um dado que relata a morte de 17 pessoas por dia no Brasil por causa de bala perdida. Por consequência, a queda no investimento no setor de segurança pública também afeta o combate aos nichos de violência dentro das próprias torcidas organizadas.

Torcidas que contam com pessoas honestas, decentes e que desejam usufruir o futebol em clima de paz. Só que antes precisam e necessitam do apoio de autoridades para combater os agentes infiltrados que estão dentro das entidades e que são responsáveis por tristes estatísticas, como a do Brasil como líder no ranking de mortes de torcidas organizadas. Na “vida real” não é diferente. O Brasil é o recordista absoluto de assassinato de homossexuais. Por isso não se estranha os registros de racismo, machismo e homofobia dentro dos estádios.

Com dados, estatísticas e pesquisas de campo, o professor Maurício Murad prova que a estratégia de acabar com as torcidas organizadas não é o caminho adequado e propõe a adoção de programas que façam com que jovens da periferia vislumbrem o futebol como espaço de lazer e entretenimento e não de guerra e de transformar o adversário em inimigo.

Como exemplo, ele cita como um programa adaptável, o “Basquete da Meia Noite”, implantado nos Estados Unidos desde o governo Clinton e que enfoca em garotos por vezes abandonados ou de conduta delinquente para praticar esportes e indiretamente lhe incutir noções de cidadania.

Acompanhado da proposta destes e de outros programas sociais, o cumprimento rigoroso do Estatuto do Torcedor, da Constituição Federal e do Código Penal para exterminar o principal aliado dos torcedores violentos: a impunidade.

Ao invés da repressão sem critério, a proposta do professor aposentado da Universidade Estadual do Rio de Janeiro é separar o joio do trigo. Valorizar o torcedor organizado capaz de fazer a festa nas arquibancadas e que dá colorido ao espetáculo e reprimir e punir quem decidir transgredir a lei.

Quanto ao papel da imprensa, o recado é claro: é preciso parar com a criminalização e o sensacionalismo e adotar uma postura propositiva, focado em evitar o atual quadro, em que de tanto falar e alardear a violência, os torcedores de bem estão afastados dos estádios, algo que indiretamente aumenta a influência dos torcedores mal intencionados. Para quem considera impossível preservar o lado lúdico e positivo das torcidas organizadas e de quebra punir os vândalos, o professor tem uma frase de Nelson Mandela na ponta da língua: “Sempre parece impossível de ser feito, até que seja feito”. Bingo.

(análise feita por Elias Aredes Junior)

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