Uma reflexão sobre a promoção das garrafas pet e a resistência de parte (parte!) da torcida do Guarani

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Uma parte da torcida do Guarani mostrou resistência a promoção das garrafas pet chamada de “Futebol Sustentável”. Apesar da venda de mais  de quatro mil unidades e arrecadação de aproximadamente R$ 21 mil, não faltou gente pronta para reclamar. O argumento número 01 era referente ao fato do projeto ter sido aplicado na torcida da Ponte Preta, a eterna rival. No ano passado, um terremoto de memes invadiu as redes sociais sobre o tema e todos de autoria de bugrinos.

Como a promoção será repetida no domingo, diante da Portuguesa, dá para cravar com todas as letras: o bugrino que coloca-se contra o projeto, na realidade marca um gol contra o seu companheiro de arquibancada.

Sejamos francos e diretos: o projeto “Futebol Sustentável” tem a meta de trazer o torcedor de baixa renda. Aquele sem condições de pagar por um canal por assinatura, englobado nas classes D e E, focado em sustentar sua família com salário mínimo e que nunca, jamais poderá participar de um programa de Sócio Torcedor.

Quem ganha R$ 934 por mês e tem obrigação de quitar boletos de água, luz, telefone celular, material escolar aos filhos e fazer compras no supermercado, não tem saída senão a de contar o dinheiro e fazer do futebol uma paixão platônica. Eis que surge uma promoção que basta comprar duas garrafas pet e trocar por um ingresso. Ou seja, se ele adquirir meia dúzia de refrigerantes de marca “alternativa”, ele vai pagar no máximo R$ 18 e terá a chance de ver o seu time do coração.

Quando a festa para ele parecia completa, eis que ele se vê vitima de um bullyng injustificável. Xingamentos e reclamações são dirigidas a ele porque ele está se nivelando ao rival. Como? Por que?

Esqueçam por um instante a rivalidade. Desprezem aquilo que foi feito pelo concorrente para encher as arquibancadas. Desfrute do gosto de sentar e vibrar ao lado não só daquele que está no Brinco de Ouro, e sim com quem via o estádio apenas do lado de fora ou esperava os gols nos jornais televisivos para sentir o seu coração pulsar e se emocionar, nem que seja por alguns segundos.

Que durante o jogo contra a Portuguesa o torcedor bugrino pense nos 90 minutos como um instante de celebração e como espaço de separação ou segregação social. O futebol é um dos últimos signos de brasilidade. Não é de bom grado perder algo tão precioso.

(análise feita por Elias Aredes Junior)