Dérbi campineiro: o encontro dos afetos e das emoções. E da resistência

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O futebol é o abrigo dos afetos.

Emoção, paixão, carinho, empatia. Proximidade.

Sentimentos a flor da pele.

Tudo pelo desespero e angustia de ver a bola balançar a rede. De celebrar uma vitória. De ficar de mãos dadas com quem se ama: pai, mãe, filhos, namorada, namorado, sobrinhos, netos…Quantos jogos e recordações transformaram-se em momentos inesquecíveis!

Hoje, quarta-feira, é dia de Ponte Preta e Guarani.

Estádio Moisés Lucarelli é o palco.

Para quem não reside em Campinas existe dificuldade em compreender a dimensão do encontro destas duas camisas.

Não é a luta simplória por vitória e derrota.

Não é a busca da glória. Ou da mitificação justificada. Eu falo de algo muito mais profundo: humanidade.

Foram 198 jogos desde 1912.

Nestes 109 anos, a cada gol bugrino ou pontepretano, um pai beijou o filho, uma mãe segurou o terço em agradecimento, o avô ministrou aconchego no seu neto, um amigo abraçou o outro, um patrão brindou com seu funcionário a alegria que parecia infinita. Cenas que transmitem como o futebol é  apaixonante e arrebatador.

O jogo desta quarta-feira ficará sem alma. Arquibancadas vazias. Todos em suas casas. Ou nas ruas, diga-se, de maneira imprudente.  É dia de torcedor exercer sua paixão. Entregar-se de corpo e alma ao amor em forma de bola.

Não será apenas um ato sentimental. Resistência é a tradução do sentimento.

Existem lares cuja alegria não será completa.

Vai faltar o pai.

A mãe não vai se alegrar.

O avô não fará a corrente positiva com seu neto.

O tio não ligará ao sobrinho ao final do jogo para tirar sarro ou para soltar o grito de jubilo oriundo do espirito. Fenômenos que só o futebol é capaz de explicar. Desfalques sem reposição.

Ausências que não são frutos de uma jogada errada ou de birra do dirigente de plantão.

Um vírus, capitão do time da morte, recebeu a camisa 10 por parte do Planalto para matar, aniquilar, destruir, desaparecer com sonhos, afetos e desejos. Colocar uma nuvem sombria e espessa na cabeça e na mente  de 200 milhões de pessoas. Campinas não foge a regra. O dérbi vive tal maldição que parece não ter fim.

Você, bugrino ou pontepretano, a cada lance, gol ou acontecimento deste encontro centenário lembre-se: sua missão é representar cada torcedor que hoje encontra-se em nossa memória e que já fez parte desta história.

Torça.

Resista.

O dérbi é seu.

E de todos aqueles que não se encontram entre nós. E estão eternizados. Para sempre.

(Elias Aredes Junior)