Guarani, boa fase na Série B e a obrigação do genuíno jornalista jamais perder o sentido da sua missão

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A boa campanha do Guarani na Série B do Campeonato Brasileiro rende dois comportamentos distintos em relação a imprensa local.

Uma atitude inicial é inflar e ungir como “gurus” todos aqueles focados apenas em vender em entretenimento ou que demonstram um desprezo olímpico pelo jornalismo critico. Ou seja, está “proibida” a emissão de noticias “ruins”. Todos devem prestar o papel de chapa branca. Elogio, elogio, elogio. As 24 horas do dia. Ou comentários dóceis.

Outro trabalho é feito no sentido inverso, ou seja, a de constranger o espirito critico reinante no jornalismo, que é a natureza da profissão.

Aqueles com respeito pela profissão ou que já frequentaram uma cadeira de universidade sabem disso. Sem contar os torcedores prontos a justificarem a sua exigência por uma imprensa dócil. “Do mesmo jeito que critica tem que elogiar”. Não, não tem. Jornalista tem que cobrir, analisar, fiscalizar e noticiar. Caridade é no Teleton. Ou no Criança Esperança. O que deve ser feito, diga-se de passagem.

O direcionamento da imprensa precisa e tem que ser oposicionista, de cobrança e de fiscalização.

Deve mostrar aspectos positivos? Sim, deve. Necessário. Mas sem perder de vista que a criticidade é ingrediente fundamental.

Encontrar-se no G-4 ou nutrir a perspectiva de disputar a divisão de elite, não pode fazer o profissional de imprensa esquecer de acompanhar temas fundamentais no Guarani.

No Guarani temos exemplos clássicos, como por exemplo, a discussão e o debate sobre a construção dos novos equipamentos determinados por sentença judicial e precisam ser feitos pelo empresário Roberto Graziano.

Este Só Dérbi dará e fará o devido enfoque nos próximos dias. Como também não se pode ignorar erros de gestão que caso venham a ser publicados. E deixar de abordá-los não fará com que eles deixem de existir.

Direcionar o futebol apenas ao campo-bola é entretenimento com viés alienante. Aliás, um direcionamento existente durante o período militar. Típica estratégia de coletivos com integrantes autoritários. Futebol é fenômeno social e assim deve ser tratado. Com informação, diversidade e circulação de ideias.

Ótimo que o Guarani fomente a esperança de acesso. Essencial que o time seja competitivo.

Boa notícia ver a bola no fundo da rede. Mas os profissionais com genuíno espirito jornalístico, independente de serem formados ou não, jamais podem perder de vista a frase que resume o espirito do jornalismo que preste serviço e edifica a sua comunidade: “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”.

(Elias Aredes Junior-foto de Eduardo Valente- Guarani F.C)