Guarani, reunião da presidência com torcidas organizadas e um conceito equivocado sobre a necessidade de valorização do sócio torcedor

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O presidente do Guarani, Ricardo Moisés e o superintendente de futebol, Rodrigo Pastana realizou na manhã deste sábado, dia 23 de julho, uma reunião com líderes de cinco torcidas organizadas para tentar alinhar os pontos antes do inicio do returno da Série B do Campeonato Brasileiro, neste domingo, às 11h, contra o Brusque, no estádio Brinco de Ouro.

A reportagem do Só Dérbi apurou que pelo lado da diretoria, Conselho de Administração e do comando do futebol, o encontro foi cercado de êxito especialmente porque existiu a possibilidade estreitar o diálogo com os torcedores.

Realmente, para quem encontrava-se calado e não tinha qualquer iniciativa de aproximação com a torcida é um avanço e tanto. É sincero por parte do presidente do Guarani? Vai surtir efeitos? O tempo dirá. Mas já foi um passo.

No entanto, segundo informações apuradas jornalistas e portais de noticias, o presidente bugrino não quis abrir brecha para uma promoção de ingressos. Diz ele que o foco é valorizar o programa de Sócio Torcedor. Erro. Crasso. E vou enumerar os motivos.

O primeiro é que a prioridade não é vitaminar o programa de sócio torcedor. A missão urgente é salvar o time da terceira divisão nacional. E para salvar o time do rebaixamento o estádio precisa encontrar-se lotado. E para presenciarmos o Brinco de Ouro cheio a trajeto fica mais curto é com ingressos mais baratos.

Mais: até concordaria com a valorização do programa de Sócio Torcedor se o indice de desemprego no país fosse baixo, se o crescimento econômico batesse recorde atrás recorde e se o próprio estádio Brinco de Ouro oferecesse conforto e estrutura que justificasse a cobrança de um valor gordo.

Não é o caso.

O pais encontra-se em crise econômica, a taxa de desemprego é preocupante e a massa salarial está em franca decadência. Mais: um cenário é o presidente do Palmeiras ou do Corinthians enfatizar o programa de Sócio Torcedor em uma cidade com 12 millhões de habitantes e que tem classes A e B em grande quantidade, como é o caso da capital paulista. Ou seja, tem público consumidor de sobra.

Campinas tem 1,2 milhão de habitantes. Um tamanho dez vezes menor do que São Paulo. O Guarani já enfrenta a concorrência de Palmeiras, Corinthians, Santos e São Paulo na Região Metropolitana de Campinas. Ou seja, já tem uma base menor de torcedores e automaticamente uma quantidade menor de gente com potencial para consumir o sócio torcedor.

Qualquer gestor com bom senso apostaria tudo em atrair o torcedor pobre para encher o estádio, criar um clima positivo e lutar pela permanência.

Ricardo Moisés vai na contramão. Infelizmente. Se der errado que guarde as reclamações para si. O destino grita para o Guarani ser salvo. A torcida também quer a permanência. Desesperadamente. Mas a instituição parece que não se ajuda.

(Elias Aredes Junior)