07 de dezembro de 1997: um acesso conquistado pela Ponte Preta com alma, coração e profissionalismo. Não deveriam copiar a fórmula?

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No dia 07 de dezembro de 1997, o domingo amanheceu em Campinas sob o signo da tensão. Os borderôs do estádio Moisés Lucarelli registraram 20622 torcedores para empurrarem a Macaca contra o Náutico e assim buscarem uma vaga na primeira divisão nacional, algo que não acontecia há 11 anos.

Naquela época, tudo era novidade. Sérgio Carnielli era um presidente recém-chegado, o diretor de futebol Marco Antonio Eberlim tinha 32 anos e José Macia, o Pepe foi convocado para a reta final. Com o empate por 1 a 1 (gols de Claudinho pela Ponte Preta e Chapecó pelo Timbu) a Macaca comemorou o acesso e uma campanha de 23 partidas, com 13 vitórias, sete empates e apenas três derrotas. A Macaca subiu junto com o América Mineiro.

Um equipe com jogadores de fibra como Grizzo e outros de técnica refinada como Marcelo Borges; velocistas como Sérgio Araújo e marcadores perdigueiros como Renato Carioca ou Marcus Vinicius.

Naquela época dizia-se que o acesso tinha a cara da Ponte Preta. Nada como o tempo para dar razão. Um acesso obtido na força do conjunto e na união dos pontepretanos. Sem vaidades, disputas de egos ou luta para ver quem tem razão de modo frágil e artificial. Basta relembrar Danilo Villagelim que comandava o departamento médico com profissionalismo e paixão.

Sérgio Carnielli era importante? Vital. Era o comandante. Só que era mais um. Peça da engrenagem.

O Majestoso era um mosaico da sociedade brasileira: desigual, separada por fosso econômico, mas unida em coração e alma para empurrar o time no gramado. O engenheiro abraçava o pedreiro; o gari agarrava o advogado e jogava pelo alto; o dono do carro bacana dava carona para o desempregado que morava na periferia. Força. Amor. Solidariedade. Empatia. Como dar errado? Não deu.

Os tempos são outros e o futebol é diferente. Concordo. Só que os homens que adoram posar para fotos em salas de ar condicionado para planejarem o futebol do século 21 poderiam se inspirar nas lições deixadas pelo time de 1997: não há vitória sem fibra, humildade, entrega e busca do bem comum.

O complexo e moderno sempre é iniciado pelo simples. Tais características não há diamante ou ouro que compre na terra. O torcedor pontepretano sabe. E por isso guarda aquele 07 de dezembro de 1997 no coração. Com razão.

(Elias Aredes Junior)

 

Ps: a formação do jogo decisivo contra o Náutico foi de: Fabiano; Jorge Luis, Renato Carioca, Marcelo Souza e Serginho; Ezequiel, Fabinho, Grizzo e Marcelo Borges (Valmir); Claudinho (Dionísio) e Régis (Sérgio Araújo). Este foi o time escalado e comandado por Pepe.

3 Comentários

  1. Boa noite Elias
    Impressionante e divina, essa sua perspicaz capacidade, em discorrer sobre uma diversidade infinita de assuntos de cunho esportivo principalmente. Parabéns, e tomara que os deuses do eterno Moisés , atentem e caminhem dessa, e em mais uma vez, para suas premissas sugestões. Um grande abraço e um ótimo e abençoado final de semana.

  2. Pois é … enquanto as virgens comemoravam o acesso, o Guarani vinha de 2 vice-campeonatos da Serie A e 2 participacoes seguidas na Libertadores … estamos abaixo da rival mas historicamente nao ha comparacao, estamos muito a frente …

  3. Estranho. Pelo que eu me lembre a ultima participação do Guarani em libertadores foi em 1988, ou seja, 10 anos antes do acesso da Ponte. Não entendi a sua colocação.

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