Análise: Tagino escancara o desejo de colocar a Ponte Preta aos pés de Carnielli. O presidente do CD está acima do bem e do mal?

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Tentarei ser didático. Porque fatos constrangedores ficam escondidos nos detalhes. Algo comum na Ponte Preta. Que tem atualmente o advogado Tagino Alves dos Santos como presidente do Conselho Deliberativo. Como comparativo seria como se ele fosse o condutor da Câmara dos Deputados.

E como responsável por esse poder dentro da Macaca, ele tem a tarefa de encaminhar pautas, demandas e coordenar votações importantes, como da previsão orçamentária, além da convocação das reuniões ordinárias.

Sua força encontra-se em definir o rito e o ritmo de votação. Então por uma questão de ética, lisura e equilíbrio, sua postura  exige um comportamento de uma pessoa equidistante dos debates, sem pender para o lado A ou B. Seu voto só é propagado em situações extremas e em caso de empate. De certa forma é o guardião do estatuto.

Este cristal político precioso foi quebrado em entrevista concedida por Tagino neste domingo ao jornal Correio Popular.

Em primeiro lugar por conjecturar sobre algo que não há qualquer perspectiva de fechamento de questão, que é o projeto de clube-empresa que tramita no Senado Federal.

E em determinada ocasião, sem qualquer cerimônia, Tagino deixa claro que a neutralidade ou ponderação exigida pelo posto está longe de ser realidade no Majestoso. Ao ser perguntado como presidente de honra, Sérgio Carnielli, seria encaixado no modelo, a resposta foi direta e reta. “Seria interessante que ele (Sérgio Carnielli) viesse como credor com uma quantidade considerável de ações ou cotas. É claro que haverá pessoas que vão discordar, mas aí se trata de interesses políticos”, disse. Sem titubear: a declaração é um desastre do começo ao fim.

Duro engolir que  um representante de um poder constituído da Macaca feche as portas para qualquer discussão com os conselheiros, sejam eles os natos ou os contribuintes. E porque? Por que demonstra que ele enquanto presidente do Conselho Deliberativo tem lado.

Quando não deveria. Ou pelo menos nutrir um pouco de ponderação.

Sendo prático: se surgir um investidor estrangeiro com potencial financeiro maior do que o do Carnielli ele será descartado? Ninguém prega que Carnielli fique a margem da discussão. Mas insinuar que a solução é apostar em única saída e desprezar as variáveis disponíveis é de uma atrocidade intelectual sem tamanho.

Dizer que ser contra a ideia é nutrir interesses políticos é duvidar da capacidade da torcida, imprensa, conselheiros e até de dirigentes de raciocinar e de pensar. Chega a flertar com a ausência de espírito democrático.

Podemos citar clubes exitosos no modelo associativo como Real Madrid e Barcelona, como alguns que fracassaram ou passam por eternas dificuldades, como o Vasco da Gama. Existem modelos empresariais que são de cair o queixo, como as agremiações inseridas no futebol inglês. Ou as dificuldades enfrentadas pelo Figueirense.

Ou seja, na visão de Tagino uma pessoa expor tais variáveis nutre interesse político e não quer zelar pelo futuro do clube. Que loucura é essa?

Mesmo se a oposição tiver foco partidário no debate é legitimo que exiba tal vertente. A Ponte Preta é o clube caracterizado pela liberdade de expressão  e jamais deveria ser do constrangimento e da mordaça. E o comandante do CD não está acima do Bem e do mal.

A Ponte Preta é um clube democrático. Todas as vozes devem ser ouvidas, acolhidas, debatidas e a solução deve ser aquela que atenda ao interesse todos. Se Tagino não seguir tais preceitos não tenho duvida em apontar como uma tremenda decepção. Em todos os sentidos.

(Elias Aredes Junior)