Análise Especial: o futebol virou uma panela de pressão. É preciso reavaliar!

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Após a derrota para a Caldense no Mineirão,  o técnico do Atlético Mineiro, Rafael Dudamel, saiu em defesa do volante Zé Wellison. Estava inconformado com o massacre emocional e psicológico a que era submetido pelas arquibancadas.

Nesta segunda-feira, a “Folha de S. Paulo” abordou em seu caderno de esporte as agruras vividas por atletas de diversos esportes pelas criticas detonadas pelas redes sociais. Uma loucura. Muitos adoecem e sequer tem assistência. Coincidência ou não, o único com aparelho completo é o Red Bull Bragantino com psicólogo, assistente social e coach. Clube empresa.

Já conversei com diversos profissionais do mundo da bola que asseguram: a questão psíquica caminha junto com a tática e a técnica para o êxito da carreira de um atleta profissional.

Lembro-me de imediato daquilo que vivemos no futebol campineiro. Um massacre diário no aspecto pessoal é viabilizado contra jogadores e técnicos. Algo irracional, insano e sem sentido. Existe pouca ou nenhuma discussão sobre o trabalho. Mesmo quando é ruim. É insulto e ataques pessoas.

Um antigo leitor do Só Dérbi demonstrou o atual quadro em poucas linhas. “Acompanhava seu trabalho pelos seus textos que são reflexivos. Concordava com muitos,não concordava com outros,mas quando ia nos comentários era desanimador”, disse o leitor que será deixado no anonimato.

Infelizmente muitos consideram que o futebol não é um fenômeno cultural e sim um espaço para descarregar suas frustrações. E o alvo preferencial é quem entra em campo. Ou quem senta no banco de reservas. Ou os responsáveis por realizar a cobertura jornalística.

Claro que os atletas devem ser cobrados. Precisam produzir em campo. Fazer jus ao salário. Só que tudo tem um limite. Precisamos reavaliar as fronteiras.  Entender que dentro do gramado também existem atletas com suas lutas e frustrações e utilizar por vezes aspectos pessoais para atacar é inaceitável. Repito: isso não isenta o jornalista avaliar se o atleta é bom, ruim ou limitado. Mas a abordagem pode e deve mudar.

(Elias Aredes Junior)

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