Análise: em um futebol brasileiro pobre de ideias e conceitos, Cilinho vai fazer muita falta

1
335 views

Em tempos de valorização de técnicos estrangeiros no Brasil, a morte de Cilinho é um duro golpe para o futebol brasileiro e campineiro. Sua saída de cena encerra um capitulo da história da modalidade em que ele foi uma das principais estrelas.

Mais: foi forjado e criado em Campinas. Destacou-se no Gazeta e posteriormente ganhou oportunidade no juvenis da  Ponte Preta, e dali em diante é tudo história.

Cilinho implantou técnicas de treinamento revolucionários. Uma prova disso era a utilização constante de bolas de pequeno porte para aprimorar o controle dos jogadores. Por gostar de atuar no contra-ataque e com alta velocidade sempre teve predileção em apostar nas categorias de base.

Fora do campo, Cilinho cuidava de todos os detalhes da vida dos atletas e buscava aprimorar o preparo intelectual de todos. Idas ao cinema, teatro e dicas de livros faziam parte do seu pacote cultural.

Tinha frases espirituosas. “Sou um coreografo tático” foi uma definição dada por ele na década de 1980. Outra seria um desafio para os tempos atuais. “Treinador brasileiro que não joga no ataque não pode ser levado a sério”. Certamente estava descontente com a onda de retranqueiros que assolam o país

Sua passagem no São Paulo foi marcante com titulos e revelação de estrelas. Mudou a concepção do futebol nacional e naquele tempo rivalizava com Telê Santana e Rubens Minelli em termos de projeção. Chegou a receber um convite para assumir a Seleção Brasileira, mas um desentendimento com os dirigentes logo na reunião de negociação melou todos os planos e abriu caminho para Carlos Alberto Silva.

Estava recolhido nos últimos anos, mas é inegável que se os atuais técnicos brasileiros tivessem sua criatividade e leitura de jogo certamente Jorge Jesus e Jorge Sampaoli não seriam tão elogiados. Vai fazer falta. (EAJ)

1 Comentário

Deixe Um Comentário