segunda-feira , 21 Maio 2018
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Análise: Guarani e Ponte Preta não são gigantes, médios ou pequenos. São nanicos. Que não querem crescer

Ok, eu entendo sua revolta ao ler o título desta análise. É doído olhar para o espelho e encarar a realidade. Ver os nossos defeitos, falhas e derrotas. Vitórias fugazes, gols inesquecíveis escondem, por vezes, o que os números financeiros expõem de modo dramático e que foi apenas destrinchado pela Pluri Consultoria. O futebol campineiro não é grande, médio ou pequeno. É nanico. Ou é normal Guarani e Ponte Preta em dez anos arrecadarem juntos R$ 486 milhões e só Goiás ter faturado R$ 505 milhões? E o Atlético-PR com R$ 827 milhões no mesmo período? Então, respire fundo, guarde sua raiva e pense conosco.

Ponte Preta e Guarani não querem crescer quando torcedores e dirigentes aceitam de bom grado o jornalismo focado no entretenimento. A recusa em analisar, de modo profundo e isento, os problemas e as mazelas de duas agremiações que já ditaram regras e tendências no futebol nacional. Festa infinita e análise somente no hoje. Isso traz dividendos? Duvido.

O que faz um clube crescer não são apenas vitórias no gramado. Isto tanto pode ser o fechamento de uma estrutura azeitada como um disfarce ou felicidade construída pelo acaso.

Se tal teoria não for verdade, o que aconteceu com o Guarani após o vice-campeonato paulista de 2012? Qual crescimento pode ser verificado na Ponte Preta após a medalha de prata na Sul-Americana de 2013 ou o Paulistão de 2017?

Vitórias fugazes, frutos da competência de homens sim, mas nunca da estrutura azeitada e construída por anos e anos. Dois times não querem crescer quando não há debate ou discussão. Ou quando dirigentes defendem a validade da inexistência da oposição.

O argumento? Que não é possível vencer sem a existência de oposição, da troca de ideias, do debate saudável. Ponte Preta e Guarani são clubes na atualidade cuja democracia respira por aparelhos. Qualquer ideia divergente é sufocada. Tudo em nome de uma felicidade pueril, sem nexo.

Bugrinos e pontepretanos se recusam a crescer quando ignoram o seu próprio potencial. Falamos de uma cidade com 1,2 milhão e uma Região Metropolitana com 3,3 milhões de habitantes. Um local com alta concentração de renda e parque industrial robusto.

Como ignorar ? Pois ignoram. E vivem de métodos arcaicos, antigos, sem qualquer sustentação financeira. Ficam muito, muito atrás de clubes médios que antigamente sequer ouvíamos falar. Antes de 1983, qual era o papel de Atlético-PR no futebol nacional? E agora?

Pois Ponte Preta e Guarani comportam-se como dois senhores que foram jovens, vigorosos e cheios de energia. A idade chegou, não ocorreu cuidado com a saúde e, ao se olharem-se no espelho, a realidade dilacerou a imagem forjada na mente.

O futebol não pede pessoas maduras no gramado. Requisita em todos os campos. Precisamos crescer em Campinas. Antes que seja tarde demais.

(análise feita por Elias Aredes Junior- atualizado as 18h12)

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4 Comentários

  1. Torço pro Guarani..fui nascido Campinas.. por isso vou me referir ponte tanbem …triste ver Guarani e ponte situação desas…celeiro de craques que saíram de Campinas tanto Guarani e ponte Sao time médios em meu ver a história de Guarani e ponte preta no futebol e linda celeiro de craques ..antes rivalidade da.lhe campinas

  2. É inadmissível uma cidade do porte de Campinas, como foi descrito nesse texto e onde se retrata com exatidão a realidade nua e crua dos times campineiros. Acompanho mais a Ponte Preta , pois sou conselheiro e tenho visto como o nosso clube não ” deslancha ” , tentamos de todas as formas buscar explicações , fiscalizar , debater e por ai vai …… mais tudo é amarrado e ignorado por muitos que comandam o nosso clube , e hoje tentamos fazer o papel do conselheiro , mais somos taxados como baderneiros e até mesmo chego o cumulo de nos chamar de bandidos ……. e como vc disse , a oposição é salutar em todos os setores das nossas vidas , mais eles não fazem questão nenhuma de buscar uma forma de crescimento, de novas idéias , o planejamento e a tão famoso criatividade para superar e buscar boas novas !!! isso é muito triste, mas continuamos na batalha !!

  3. É exatamente isso. Falo pela Ponte que se comporta como um trabalhador assalariado que de tempos em tempos ganha o PLC da empresa, fica feliz e em pouco tempo já está duro novamente. Sobrevive!
    Ao meu ver, quem comanda não aproveita o que temos de bom para crescer, deslanchar.
    Há alguns anos conseguimos o acesso para a série A. O dirigente não achou importância em conquistar o título da B. Tivemos momentos bons na serie A. Tínhamos tudo para nos manter entre os dez melhores sempre, mas preferem ficar se achando os coitados, as vítimas das baixas cotas.

  4. A falta de oposição é só a realidade da sociedade
    Polarização e o sufoco de ideias de quem pensa diferente.

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