terça-feira , 20 fevereiro 2018
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Análise: Guarani precisa de atenção. Terceirização sem continuidade no trabalho é jogar dinheiro no lixo

Noticia publicada neste Só Dérbi demonstra o avanço do processo de terceirização no Guarani. Estudos já estão sendo executados e o foco é viabilizar o acordo no menor tempo possível. E uma das hipóteses em análise seria avaliar o trabalho de Umberto Louzer. Digo sem medo de errar: se tal decisão for tomada seria um tiro no pé de proporções gigantescas. Seria começar errado um processo que tem a intenção de dar certo.

Não vou enumerar a identidade de Umberto Louzer com os jogadores. Ou sua humildade em reconhecer os erros e defeitos do time. Sua obsessão em treinar a exaustão. Vou expor um conceito que vai contra toda a cultura reinante no futebol nacional, mas é preciso ser dito: Umberto tem que ser mantido mesmo se o acesso não for obtido. Lógico, se fatos extraordinários surgirem no horizonte, a opinião pode mudar. Por enquanto, isto não está em pauta.

O motivo principal é cristalino: o Guarani não forma ou revela mais treinadores. Deixou de ser uma escola ofensiva e de talento do passado para testar fórmulas importadas ou aposta em profissionais com larga experiência. Para ser bondoso, digo que o último treinador revelado pelo Alviverde foi o atual responsável pelo futebol, Luciano Dias, responsável pelo acesso na Série C em 2008. Antes, tinha feito bom trabalho no Botafogo de Ribeirão Preto.

Faça uma retrospectiva e todos os últimos trabalhos exitosos no Guarani foram com técnicos veteranos: Carbone, Vadão, Vilson Tadei, Marcelo Chamusca… Todos com experiência comprovada. Tiro certo. Nada de desenvolver um modelo de jogo, uma metodologia de formação e condução de jogadores. Ou um palco para o aparecimento de novos astros no futebol nacional.

Faço um retrospecto histórico. Quando foi campeão Brasileiro em 1978, Carlos Alberto Silva não tinha sequer 40 anos e buscava projeção após trabalho na Caldense. O que dizer então de Carlos Gainete? Campeão baiano pelo Vitória e Goiano pelo time esmeraldino mas que só alcançou a glória nacional ao ser vice-campeão brasileiro com o próprio Guarani em 1986, mas com decisão em 1987.

Repito a pergunta: onde está este celeiro de formação de treinadores? Vou além: no retrospecto geral, o que ganhou de prático o Guarani nos últimos anos ao submeter-se a ciranda geral do futebol? Será que o Londrina, com Cláudio Tencatti por seis temporadas, e Rogério Zimmermann por cinco temporadas no Brasil de Pelotas não colheram resultados positivos e mais perenes? 

Aliás, uma provocação: será que o título brasileiro de 1978 teria acontecido sem a passagem de Zé Duarte pelo Guarani de 1971 a 1975? Será que frutos daquele trabalho não foram consumidos por Carlos Alberto Silva?

Longe de eleger Umberto Louzer um gênio da bola. Sem hipótese de colocá-lo como o novo Rinus Michels, técnico da Holanda em 1974. Mas sem continuidade é impossível apurar evolução tanto no clube como no profissional de futebol. Que os responsáveis pelo processo de terceirização pensem em um conceito tão banal, porém, precioso.

(análise feita por Elias Aredes Junior/foto: GuaraniPress)

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