Análise: Ponte Preta, Guarani e os segredos inúteis do futebol. Ou atitudes infantis que não levam a nada

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Qual criança nunca gostou de brincar de esconde-esconde? Quem nunca apreciou despistar alguém e vencer quem deveria encontrar quem estava submergidos em algum canto de um terreno ou da sala de sua casa? Pois é. Tempos de inocência. Infância que não volta mais. Mas não deveriam ser aplicados na fase adulta.

O futebol campineiro tem um comportamento infantil e sem nexo: esconder a relação dos jogadores que vão para o jogo a cada rodada. Preste atenção: não falo de quem está escalado para o time titular. O segredo faz parte do negócio. Agora, negar a revelação de quem está escolhido até para o banco de reservas é uma bobagem sem limites.

Nenhum argumento para em pé. Esconder alguma surpresa do adversário? Ora, todos os jogos são televisionados e as características dos jogadores são descritas de trás para frente. O que vai mudar a atitude de sonegar uma informação tão básica? “Ah, mas isso pode confundir os adversários”.

Pausa no texto para uma reação: ha ha há. Risivel, se não fosse patético.

Não venham me convencer que na Europa se faz o mesmo. E quem disse que tudo feito pelos europeus é correto? Isso é vira latismo.

Existe ainda uma questão de conceito. Os clubes de futebol no Brasil não são propriedades estatais,  mas são de interesse público. Gozam de isenção de impostos, facilidades para pagar seus compromisso junto ao município, estado e união. Ou seja, é dinheiro que não está nos cofres públicos e poderia ajudar a melhorar a nossa vida.

Então, o mínimo que se pede destas instituições é informação. Não só daquilo que é feito nas administrações, mas também em relação ao departamento de futebol. O executivo de futebol e o técnico não são donos do clube. Nem o presidente.  Eles também precisam prestar contas a sociedade, aos associados e torcedores. Saber quem está disponível a cada rodada é dar uma satisfação ao público. É demonstrar respeito de quem vai ao estádio ou de quem sente diante da televisão.

Mais: o que resolveu para Ponte Preta e Guarani esconder a relação de quem vai para o campo a cada rodada? Venceu? Goleou? Esconder a relação dos jogadores fez a Ponte Preta vencer a Chapecoense? Passar pelo Cuiabá? Ultrapassar o América Mineiro?

E o Guarani? Esconder relação de jogadores a cada rodada lhe deixou no grupo de classificação? Pois é. Pior: posteriormente, os dirigentes dos dois clubes batem no peito e dizem que são transparentes. Ora, não são nem em informações secundárias. Por que não fazer o básico?

Pode parecer um detalhe, mas são em pontos aparentemente fora do raio de observação que um clube de futebol demonstra sua disposição em dialogar com seus torcedores e estabelecer uma relação saudável com a imprensa. Guarani e Ponte Preta podem andar de mãos dadas: a dupla é uma decepção completa em relação a este tema relacionado ao futebol.

(Elias Aredes Junior)