Especial: a imprensa esportiva brasileira gosta e quer a troca constante de treinadores. Estamos presos no dia da Marmota!

0
448 views

Enderson Moreira é o novo técnico do Fortaleza. Trabalhou neste ano em outros três clubes. Está na ciranda do futebol. O Grêmio de Renato Portaluppi, o São Paulo de Fernando Diniz, o Atlético Mineiro de Sampaoli e o Ceará de Guto Ferreira são os únicos que não cederam ao canto da sereia na Série A do Brasileiro.

É um entrave ao desenvolvimento do futebol brasileiro. Arrebenta com sua estrutura. Sucateia ideias bem intencionadas. Algo deve ser dito: uma parte da crônica esportiva (e eu me incluo na categoria) tem participação decisiva neste eterno “Dia da Marmota” futebolítico. Esta data é o mote central do filme “Feitiço do Tempo”, em que o repórter Phil Connors, interpretado por Bill Murray fica preso em um único dia de modo que parece infinito.

Como explicar? Simples como água. Se 90% dos clubes brasileiros estabelecessem a continuidade do trabalho dos seus técnicos, um novo componente entraria em campo: a rotina.

Aquela que insere a repetição de movimentos, treinamentos e com bastidores sendo colocados em segundo plano. Quanto mais a rotina é inserida, maior a necessidade de realizar uma análise fina, pormenorizada do trabalho do treinador. O estudo não ficaria apenas a cargo dos comentaristas mas sim dos repórteres, os responsáveis pelo dia a dia. E asseguro: para alguns seria a morte profissional.

Percebi tal aspecto quando passei a fazer a leitura dos jornais Portugueses. Lógico que existe a entrevista coletiva, os lances de bastidores e as confusões registradas em qualquer clube. Só que os materiais de pré e pós-jogo são ricos e cheios de detalhes. Por que? O torcedor não quer monotonia. Quer ser surpreendido. E como apontar algo diferente em um trabalho com um ou dois anos de duração? Díficil. Sem especialização é quase impossível.

No Brasil, não são todos os cronistas esportivos que buscam aprimoramento e conhecimento sobre a matéria. Infelizmente. Apegam-se ao superficial aos conceitos básicos do jogo. Até em emissoras e veículos de alcance nacional. O superficial basta. Por que? Pela falta de tempo para os técnicos trabalharem eles ficam eternamente no estágio iniciais de seus trabalhos.

O circulo é pernicioso e viciado. Os resultados ruins aparecem, dirigentes plantam noticias contra o comando vigente, a imprensa começa a catalisar a revolta do torcedor e um belo dia, a demissão acontece. E aí mais quatro ou cinco dias para pesquisar quem será o próximo técnico e com a missão de começar tudo do zero.

Neste processo, o jogo e o trabalho do treinador ficam em segundo plano, o noticiário foca no entretenimento, nas especulações e todo mundo fica feliz. O dirigente porque tira a responsabilidade das costas; a torcida que ganha um lufar de esperança, mesmo que falso; e os meios de comunicação em virtude galvanizarem audiência.

Isso mudará um dia? É cultural? Não sei. Só considero que o futebol brasileiro precisa aprender a lidar os fatos com maturidade. A infantilidade traz prejuízos a todos.

(Elias Aredes Junior)