domingo , 24 fevereiro 2019
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Oito clubes peitam o poderio da Rede Globo. Lutam por seus direitos. Quando foi perdida a coragem dos dirigentes campineiros?

Como o dinheiro é fonte preciosa no atual futebol brasileiro, quanto maior for o orçamento, crescem as chances de montar times competitivos. Palmeiras e Atlhetico Paranaense  endureceram o jogo contra a Rede Globo de Televisão e não assinaram o contrato para a transmissão de seus jogos em Pay Per View. Eles não aceitam o valor oferecido tanto no pacote de jogo pago como também no contrato para as outras mídias e que teria uma redução devido ao fato das duas agremiações terem assinado com o grupo Turner, que com o final do Canal Esporte Interativo transmitirá os seus jogos no Space e TNT. (veja mais detalhes aqui)

Podemos encarar como normal a postura dos dois. O Palmeiras, pelo poderio econômico, vitaminado pela assinatura do contrato de patrocínio com a Crefisa e com a renda obtida com a bilheteria do Allianz Parque. Está em condição de negociar. O Furacão, por sua vez, tem Mário Celso Petraglia, reconhecido como alguém sempre disposto a encarar a força das televisões. E seu clube detém de estrutura e lastro financeiro para dar um passo a frente.

Fico espantado ao verificar que Botafogo-SP, Operário, Cuiabá, Sport, Vitória e Coritiba não aceitam os contratos oferecidos e  não há nada assinado. Vou traduzir: se continuar dessa maneira Ponte Preta e Guarani correm o risco, em um cenário radical de ver 12 dos seus 38 jogos não serem transmitidos em nenhuma plataforma. Adendo: no Brasil, para um jogo ser transmitido é preciso acordo dos dois lados.

De certa forma sinto inveja. Bem ou mal, são clubes que não olham para a conjuntura e buscam o melhor para si. Não abaixam a cabeça para qualquer oferta encaminhada e tentam transmitir a imagem de que não são cordeiros do futebol brasileiro. Não estão ali apenas para bater palmas.

Onde foi parar a coragem dos dirigentes pontepretanos e bugrinos? O que aconteceu com aquela cidade que um dia foi um dos principais focos de resistência até a ditadura militar (no período, os prefeitos eleitos foram oposicionistas) e seus clubes eram referência até de contracultura. Lembram quando a Ponte Preta de 1977 era considerada o Davi que lutava contra um Golias que desejava ver o Corinthians campeão? E o Guarani campeão de 1978 que era um contraponto ofensivo ao futebol considerado por muitos enfadonho do capitão Claudio Coutinho?

Antes éramos inconformados com a estrutura do futebol. Hoje, os dirigentes abaixam a cabeça e dizem amém. Não contestam, reclamam ou protestam. Está tudo lindo. Muito triste.

(análise feita por Elias Aredes Junior)

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