Para o governador João Dória, o futebol está no final da fila. É salutar querer inverter o quadro?

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Os desencontros reinantes e presentes no poder público no combate a pandemia do novo coronavirus também começam a se refletir no futebol. Além da falta de uniformidade em relação a retomada da modalidade nos estados, as entidades representativas dos dirigentes e dos jogadores estão em pé de guerra.

Prova disso foi o saldo da reunião ocorrida nesta quinta-feira entre os representantes do Sindicato das Associações de Futebol, Sindicatos que representam Treinadores, árbitros e atletas. O encontro também teve a presença do Ministério Público do Trabalho, além de pessoas ligadas a Federação Paulista de Futebol e do governo estadual.

Existe uma disposição de estabelecer uma mediação judicial para encontrar a melhor saída. No entanto, ficou definido que isso só será feito com liberação das autoridades sanitárias do estado de São Paulo. E muitos não aceitaram a resolução do governador João Dória de delegar as prefeituras a autorização para a retomada dos treinos e os jogos sem torcida.

Fico espantado com a postura dos envolvidos. Especialmente porque o comportamento de João Dória era  previsível. Lógico que a ciência deve prevalecer. E que os jogadores não podem ser colocados em risco.

Isso está claro. Mas na vida dois fatores são primordiais: planejamento e decisão. E Dória, por enquanto, não mostrou nenhum dos dois preceitos na hora de abordar a questão do futebol.

Um detalhe deve ser dado: seja no futebol ou em outras áreas, a retomada das atividades é uma temeridade, pois as aglomerações vistas em todos os locais já dá para se prever uma explosão de casos, com mais internações e mortes. O pedido só está sendo reforçado em virtude de que o relaxamento é geral. Com todos os riscos.

Ressalte-se que isso não tem participação do atual secretário de Esportes, Aildo Ferreira. Tanto que sempre esteve em contato com a Federação Paulista de Futebol.

Mas a decisão final é de quem comanda. E neste caso, Dória nunca tratou o futebol com o carinho que merece. Que, lógico, não tem o peso econômico de outras atividades. Mas não merece tamanho desleixo. Um pouco de vontade não faz mal a ninguém. Ou dá atenção para todo mundo ou não dá a ninguém.

(Elias Aredes Junior)