Pesquisa mostra tamanho das torcidas no Brasil? Qual o tamanho do desafio do futebol campineiro?

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O economista César Graffieti é uma pessoa que pensa o futebol no Brasil. Há vários anos coordena um estudo publicado com periodicidade anual e que mostra o quadro financeiro e econômico dos principais clubes brasileiros.

Neste ano, a publicação foi divulgada pela XP investimentos e traz dados e informações que deveriam ser alto de atenção e estudo por parte todos dirigentes do futebol campineiro e por qualquer um que estude e acompanhe o futebol na cidade.

O levantamento detectou que, de cada 100 brasileiros, 88 torcem e acompanham um time de futebol. Sinal de que, apesar dos problemas e ineficiência dos dirigentes, a modalidade é bastante popular no Brasil. Mesmo com as tentativas de elitização realizadas por dirigentes, clubes, federações e pela própria Federação Paulista de Futebol.

Entre aqueles que gostam e acompanham futebol, 24% torcem pelo Flamengo, outros 18% acompanham o Corinthians, enquanto que 11% de brasileiros que acompanham futebol gostam do São Paulo. Os palmeirenses são 10% do total. Só aqui já temos um dado estarrecedor: de cada 100 brasileiros que gostam de futebol, 63 torcem para um dos quatro times já citados. Ou seja, mesmo que a história não seja apagada e que alguns permaneçam competitivos, é certo que já temos no Brasil um clube seleto de quatro super gigantes que concentram boa parte dos torcedores que movem o futebol nacional.

O rol de noticias preocupantes não termina nisso. Deste total de 88% de brasileiros que acompanham futebol, 36% destes torcedores apreciam e torcem por algum time estrangeiro. Deste total, 28% são torcedores do Barcelona, outros 24% acompanham o Real Madrid e 17% são torcedores do PSG.

Por qualquer ângulo em que se faça a análise, a pesquisa é uma pessima notícia para Ponte Preta e Guarani. São clubes que necessitam ampliar a sua base de torcedores pelo menos na Região Metropolitana de Campinas. Como angariar novos fãs diante das péssimas campanhas dos campeonatos em que participam? Mais: como conseguir ampliar o mercado diante do fato de que três dos quatro supergigantes do futebol nacional encontram-se no estado de São Paulo? Mais: são gigantes com estrutura, dinheiro e ambição para ampliar ainda mais a fatia do bolo que participam nas arquibancadas do futebol nacional.

Para piorar ainda mais o quadro, Ponte Preta e Guarani perdem até a possibilidade de dividirem corações.

Explico: nas décadas de 1970 e 1980 e 1990, o fato mais comum era uma pessoa que desembarcasse em Campinas e escolhesse um dos dois times para torcer, mesmo se ele fosse um fã incondicional de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. Hoje, a pesquisa mostra de maneira cabal, que agora esta pessoa continua com a predileção por um time brasileiro de nascença e escolhe um time estrangeiro para torcer.

O levantamento ainda demonstra que 19% dos entrevistados tem de 16 a 24 anos, a faixa etária que acompanha de maneira mais alucinada o futebol; outros 28% tem de 25 a 34 anos, a meca do consumo para o mundo da publicidade. Juntos, são 46% do total do público pesquisado. Pergunta: como fazer com que esse público mais jovem, que não tem qualquer referências dos resultados do passado de Ponte Preta e Guarani tenham empatia e decidam abraçar uma das duas camisas do futebol campineiro?

E pense ainda que 27% daqueles que foram pesquisados tem entre 35 e 44 anos. Ou seja, são torcedores que viveram as glórias do futebol campineiro e agora vivem esse periodo de vacas magras. Que motivos possuem para nutrir vontade de acompanhar um dos dois clubes.

Infelizmente, não há como dourar a pílula. O quadro é delicado. Não dá para querer resolver na base do improviso ou do voluntarismo.

Se quiserem serem reinseridos na geografia da bola, não basta apenas subir de divisão, disputar bons campeonatos regionais e registrar participações decentes na Copa do Brasil.

É preciso que aconteça uma revolução no futebol campineiro e que envolva o maior número de personagens: clubes, dirigentes, jogadores, intelectuais, especialistas em finanças e marketing e também uma mudança de mentalidade e com o estabelecimento de objetivos: o que queremos? o que sonhamos? O que buscamos? Como conseguir um lugar em um futebol cada vez mais concentrados?

Sem estas respostas, a bola pode até entrar mas as arquibancadas continuarão vazias. E isso não pode perdurar. O futebol brasileiro precisa estancar este processo danoso.

(Elias Aredes Junior)