Políticos do PT querem a manutenção do futebol durante o agravamento da pandemia. Que eles entrem no time que é a favor da vida!

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Com 300 mil mortos por Covid-19, o Brasil vive tempos sombrios. Não há alegria. O amanhã é incerto. Todos deveriam fazer um esforço diário para que os setores da economia entrem na batalha contra o vírus. Sim, Lockdown. Uma palavra amarga e necessária. Fechar tudo. Para salvar vidas. E dar fôlego ao sistema hospitalar, tanto em vagas hospitalares  e um mínimo de qualidade de vida para todos do sistema de saúde. Sem esquecer do auxílio emergencial aos necessitados e socorro aos empresários em dificuldades.

O futebol deveria fazer parte do esforço. Por princípio, considero urgente a paralisação de todos os jogos. Se não por uma questão de resultado efetivo, também por solidariedade e empatia com aquilo que acontece nos hospitais. Os dirigentes não querem. Pior: não demonstram pranto, sofrimento, empatia. Precisam de dinheiro? Entendo. Mas isso pode colocar em risco as pessoas envolvidas na cadeia do futebol.

Os dirigentes não querem auxiliar no esforço nacional. Pior: indiretamente recebem a aprovação de autoridades. E de políticos que não esperavámos tal postura.

Conhecedor dos efeitos positivos do Lockdown em sua própria cidade, o prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), disse no dia 16 de março ao jornalista Paulo Vinícius Coelho, do Grupo Globo, que não considerava necessário parar o futebol. “No futebol, o risco é zero. Houve jogo de futebol, permitido, durante o período do lockdown. Ferroviária x Botafogo“, afirmou o mandatário. O prefeito se referiu à vitória da Ferroviária por 5 x 0 sobre o Botafogo de Ribeirão Preto. No domingo, dia 21,  Araraquara teve 16723 casos e 309 mortes. O município tem 238 mil habitantes.

Detalhe: Edinho Silva é do PT, partido que mais tem combatido (acertadamente!) todas as medidas equivocadas adotadas pelo governo Federal e que não contemplam o Lockdown e o isolamento social.

Edinho Silva recebe o respaldo dentro do partido. Rui Costa (PT), governador da Bahia, também considera normal a realização de jogos de futebol neste período de pandemia. “No nosso entendimento, os atletas estão confinados. Vão e voltam no ônibus, confinados. Não tem torcida, não gera aglomeração nem dentro nem fora do estádio. Ao contrário, eu diria que o jogo, na medida em que os bares não estão funcionando, as pessoas estão em suas casas. Serve como descontração e lazer”, afirmou o governador. Pelos dados mais recentes, a Bahia (BA) tem 774.491 casos e 14357 mortes. O estado da Bahia tem 15 milhões de habitantes.

Tanto Edinho e Rui Costa são gestores bem intencionados. Lutam de todas as formas para debelar o vírus. Na questão do assunto do futebol eles estão equivocados. Uma prova de que a falta de bom senso abrange todas as colorações ideológicas e partidárias.

Quem diz isso não sou e sim duas personalidades com reconhecida capacidade no tema. O primeiro é Miguel Nicolelis que em sua entrevista ao programa Redação Sportv no dia 17 de março afirmou que o “futebol precisa parar porque o Brasil precisa parar”. E deu argumentos concretos. “A desculpa que não existem critérios médicos para parar o futebol não bate. A CBF usa uma rotina de testagem, que ela chama de grande protocolo. Basicamente, ela não informa nos 89 mil testes que fez, com 2,2% de positivo, que o teste que ela usa pode ter um falso negativo de 30%. O Camacho (Corinthians) foi retirado da concentração na manhã do jogo do Palmeiras porque estava com sintomas. O Valdivia (Avaí) jogou contra o CSA infectado. Temos absurdos em times de futebol por todo o Brasil”, disse.

Rachel Stucchi, médica vinculada a Unicamp e integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia, explicou a este jornalista que faz coro a Nicolelis e justifica porque o futebol precisa ser paralisado. “O Brasil está no colapso do sistema de saúde com altas taxas de transmissão da Covid. Tudo que pode levar a qualquer aglomeração e trânsito de pessoas deve ser evitado. É um absurdo pararmos vários setores da economia  e o futebol continuar”, afirmou a infectologista. “Não há torcida dentro do estádio. Mas as pessoas se aglomeram”, justificou.

O fechamento de bares, de acordo com a infectologista, não serve de argumento. “Se eles não se resumem em bares, eles estão em chácaras, ficam na porta do estádio, no entorno do estádio para comemorar a vitória ou lamentar a derrota”, afirmou Stucchi.

O conceito emitido pela infectologista esclarece até porque circular de ônibus tem alto perigo de contágio. “A cada deslocamento você coloca 30 pessoas  que vão de um lado para outro. As vezes de avião de carreira ou de ônibus. Não se justifica em uma grave crise sanitária que o futebol seja mantido”, completou.

Com alguns gestores é impossível dialogar. Não mostram sensibilidade. Edinho Silva e Rui Costa já mostraram que são democráticos e abertos ao debate. Que eles escutem os especialistas: não dá para abraçar a falta de bom senso e deixar o futebol continuar enquanto mortos são contabilizados. Que eles entrem na batalha com o uniforme a favor da vida e vejam a loucura que é continuar com o futebol.

(Elias Aredes Junior)