Ponte Preta curte o paraíso na Série A-2. Mas deve se preparar para o inferno

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Esqueça a qualidade técnica do torneio. Deixe de lado que falamos de uma equipe integrante da Série B do Campeonato Brasileiro. Vamos ao essencial: é muito gostoso ser torcedor da Ponte Preta na atualidade.

A fase inicial da Série A-2 do Campeonato Paulista produziu dois sentimentos antagônicos nos torcedores pontepretanos. De um lado, a timidez de comentar em público com torcedores rivais que o time disputa a segundona regional, fruto de uma falha de planejamento no Paulistão do ano passado.

Para quem disputou final de Sul-Americana, é constrangedor disputar uma competição que, no fundo, é uma viagem no tempo.

Sim, porque com todo o respeito que merecem os participantes do certame, a história atual da Macaca não comporta mais atuar contra Linense, Comercial, Noroeste ou Primavera. Os tempos mudaram. A vida avançou. Apesar dos erros e equívocos realizados no passado e a vaidade reinante nos corredores do Majestoso, é certo que sobrou um legado e um lastro que são aplicados agora.

E que gera um desdobramento saboroso.

Se antes a Ponte Preta enfrentava os adversários muitas vezes sabedor de que corria por fora e dependia por vezes do acaso para vencer, desta vez o quadro é diferente: a Ponte é favorita.

Absoluta.

O seu torcedor sabe que a probabilidade de vitória é enorme. E tal quadro tem um efeito colateral positivo: a melhoria da autoestima do torcedor. Sim, o pontepretano ostenta a camisa em qualquer conjuntura e circunstância. Quando o time é protagonista o quadro muda. Para melhor.

O comportamento é um reflexo daquilo que acontece em campo. Se empatar com o Comercial na rodada programada para sábado, a Macaca assegura o primeiro lugar por antecipação. E pode ainda bater o recorde do Oeste, com 36 pontos em 2021. 

Ótimo? Maravilhoso? Nem tanto. Esse orgulho, altivez e postura tem que ser substituídos por uma humildade com boa dose de foco e concentração a partir das quartas de final. 

Explico: a Ponte Preta sabe que é melhor tecnicamente do que os outros. Então pode exibir uma espécie de cartão de visitas a cada rodada. Apesar de gerar alguns desdobramentos indesejáveis como a frieza de comemoração de alguns gols, o que resvala em uma soberba que só não gerou consequências mais danosas devido a falta de qualidade técnica dos oponentes. 

Mas em um playoff as virtudes são minimizadas. Quem é bom pode piorar de uma hora para outra. O ótimo pode ficar irregular e a limitação técnica pode aparecer. Ainda se o time apresentar um comportamento leniente. 

O modo hiper competitivo já pode ser acionado a partir de amanhã contra o Fluminense. Uma vitória selaria a classificação, asseguraria R$ 2,6 milhão no total  já seria um belo aquecimento para as sete partidas que vão definir o destino da Macaca na segundona regional. Para chegar ao olimpo, quem é bom precisa pensar em constante aprimoramento. Para posteriormente celebrar a vitória redentora.