Ponte Preta: No vestiário uma minoria parece querer impor sua vontade sobre a maioria. É correto?

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Os jogadores da Ponte Preta não participaram nesta terça-feira da tradicional entrevista coletiva. E nem devem fazer tal ato amanhã e nos dias subsequentes antes do confronto com o Sampaio Côrrea.

Protesto motivado pela ausência de pagamento especificamente dos direitos de imagem dos atletas. O que afirmamos ainda vale: contratou tem que pagar. Sem desculpa. O jogador não tem culpa de que o dirigente é incompetente para planejar o seu fluxo de caixa.

Ou é incapaz de saber que não tem condições de pagar salários exorbitantes em época de escassez de recursos e de falta de bilheteria produzida pela pandemia. Ponto negativo (e gigante ) para a diretoria pontepretana.

Só que a atitude dos jogadores pontepretanos esconde um outro ponto que não pode ser ignorado: uma minoria dita aquilo que deve ser seguido pela maioria. De acordo com a própria diretoria pontepretana, os dois meses de direito de imagem atrasado são relacionados a 11 atletas.

Outros 24 jogadores estão com tudo em dia.

Então veja só: o funcionário recebe tudo do clube, os seus direitos são assegurados e o que ele dá em troca? O silêncio e a perda da oportunidade de se projetar o nome do clube. Pode ser um ato solidário, mas no fundo é isso: é gerar  prejuízo para uma instituição que está cumprindo o seu dever.

Mais: os 24 jogadores talvez nem percebam que fazem papel de “escudo” dos 11 jogadores que estão sem o direito de imagem. Transmite-se a impressão de que é algo que ocorre com todos. Não é.

Então, o que deve ser feito? Ora, se os 11 jogadores tivessem capacidade estratégica a decisão seria a de falar com a imprensa. Existe fato mais constrangedor do que o jogador, mesmo que indiretamente falar aos quatro ventos da incapacidade do clube que lhe paga de quitar os seus compromissos?

Quer ato mais deplorável do que expor os dirigentes ? Se eles falassem eu diria que, na pior das hipóteses, ficaria claro para a opinião publica a incapacidade da diretoria executiva de conduzir com eficiência um clube do porte da Ponte Preta. Ao adotarem o silêncio concedem um habeaus corpus a quem não paga o que foi combinado.

Quando 11 trabalham para que outros 24 fiquem em silêncio o torcedor não tem a situação esclarecida e só demonstra que no vestiário da Ponte Preta uma minoria parece querer impor a sua vontade sobre a maioria.

E os dirigentes? Sorriem. Por que não são cobrados e absolvidos pelo silêncio. Uma lástima.
(Elias Aredes Junior- foto de Álvaro Junior-pontepress)