Ponte Preta reativa esperança na Série B. Mas a turbulência anterior poderia ser evitada pelos dirigentes

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No último domingo, o presidente da Ponte Preta, Sebastião Arcanjo, esteve no vestiário para dar apoio aos jogadores. Disse em alto e bom som que todo o aparato de segurança seria destinado para a equipe fazer o seu trabalho. Deu certo. A Macaca venceu o Oeste e exibiu evolução. João Brigatti ganhou tempo para trabalhar.

Isso não quer dizer que está tudo resolvido. Sacramentado. Longe disso. O trabalho começou. E os dirigentes pontepretanos deveriam entender a nova conjuntura do futebol e explicar ao torcedor o novo cenário. Sofrem porque utilizam as entrevistas para encaminhar justificativas e não para informar e fornecer dados que alterem a percepção das arquibancadas, por enquanto virtuais.

Essa critica vale para todos, desde Tiãozinho até a dupla formada por Vanderlei Pereira e Sérgio Carnielli, integrantes do colegiado de futebol que ainda são influentes. Tanto que Carnielli estava ao lado de Tiãozinho na conversa feita no vestiário do Centro de Treinamento do Jardim Eulina.

Vamos na jugular: Campeonato Paulista tem valor relativo na atualidade. É uma pré-temporada de luxo. Tem valor para as equipes de Campinas não porque paga bem, mas porque a Série B paga mal.

Pense: a Macaca fez 14 jogos e embolsou R$ 6 milhões e para disputar 38 partidas em nível nacional ela ganha R$ 8 milhões, sendo que um quarto do valor é destinado para financiar a logística da competição. Ou seja, a relação custo-benefício para a televisão é altíssima. Para o clube, nem tanto

E tecnicamente? Sejamos francos: quando a Ponte Preta encantou para valer? No jogo contra o Santos? Concordo. Talvez contra o Novorizontino. O quarto lugar foi obtido com duas boas partidas de 14 partidas. Tem méritos? Lógico. Mas é preciso relativizar. Excetuando-se o confronto contra o Santos, diante de Corinthians, São Paulo e Palmeiras não dá para dizer que a Macaca encheu os olhos. Ou seja, a colocação foi boa, mas o desempenho no gramado deixou a desejar no geral, seja com Gilson Kleina ou com João Brigatti.

Melhorou após a pandemia? Teve o mérito de montar um time mais competitivo e com boa preparação física. Os jogadores continuaram limitados.

Dito isso, o que qualquer gestor faria: daria uma entrevista coletiva em que elogiaria a reação da equipe, mas colocaria tudo nos seus devidos lugares. Descreveria as dificuldades da Série B e esclareceria que existe a necessidade de esperar por um tempo até o time maturar. Tomaram tão atitude? Esclareceram o torcedor?

Cinco pontos em quatro jogos não é o ideal. Mas não é um desastre. Diria que é até previsível. E avisar sobre aquilo que vai acontecer ao torcedor é função de qualquer dirigente, seja ele estatutário ou remunerado. O dia que tal conceito ocorrer as coisas melhoram na Ponte Preta.

(Elias Aredes Junior)