sexta-feira , 26 maio 2017
Home / Artigos/Opinião / Santos quer mandar jogo na Arena do Palmeiras. E se fosse em Campinas?

Santos quer mandar jogo na Arena do Palmeiras. E se fosse em Campinas?

O Santos pretende utilizar o Allianz Parque como palco da partida contra o Santa Cruz, na 26ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. Inicialmente, a partida está marcada para a Vila Belmiro, mas a diretoria já abriu negociações com o Palmeiras e a WTorre com o objetivo de diversificar.

A pergunta que fica: e se isso acontecesse em Campinas? A Ponte Preta utilizando o Brinco de Ouro ou o Guarani no Majestoso, mas fora de um dérbi.

Não seria inusitado.

Em 1977, quando o Moisés Lucarelli ficou interditado por 30 dias para reformar o gramado, a diretoria da Ponte não hesitou em jogar no Brinco contra o Palmeiras. A mesma situação ocorreu em 84, quando a Macaca foi mandante contra o Guarani por estar com o Majestoso impossibilitado de receber o dérbi.

O inverso também ocorreu. No Paulistão de 98, o Guarani ficou sem o Brinco e recebeu o Corinthians no estádio da rival. As dependências do Majestoso, exceto as vitalícias, foram ocupadas por torcedores bugrinos.

Em todos os casos não houve registro de violência e depredação.

Hoje, ao perguntar para um pontepretano se ele aceitaria jogar no Brinco a resposta foi imediata e negativa. O bugrino também rejeitou refletir sobre jogar no Majestoso. Mas por que? Em BH, Cruzeiro e Atlético dividiram os estádios por muito tempo. No Rio, Botafogo e Fluminense jogaram recentemente no São Januário. Mas aqui todos refutam a ideia.

Torcedor de futebol quando tenta ponderar decisões administrativas diminui o alcance de visão. Tomado por paixão, acima da razão, já quase inconsequente e só enxergando o que é melhor pra ele, cometeria os mesmos erros dos nossos dirigentes atuais, que nada mais são torcedores de gravata.

Boa parte da explicação porque os EUA funcionam em todos esportes está nessa problemática. Lá o esporte tem dono. Não tem essa de rivais se matando. Tem um dono, tipo UFC, e os donos dos clubes. É um negócio. E a visão é justamente neste sentido. Um precisa do outro.

Kobe Bryant, lenda dos Lakers que se aposentou recentemente, foi incansavelmente homenageado pelos rivais (inclusive pelo Boston Celtics). No futebol americano, Dallas Cowboys e Redskins promovem a maior rivalidade da NFL juntos. E nem por isso o esporte perdeu a graça. Só foi fortalecido.

Rivalidade dentro de campo. Inteligência fora. Guarani e Ponte precisam um do outro… deixem as emoções para o torcedor.

(Análise e texto de Júlio Nascimento)

Veja Também

grafite

Diretoria da Ponte Preta despista sobre interesse em Grafite

Sonho antigo da Ponte Preta, o atacante Grafite está insatisfeito no Atlético-PR e pode ser ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *