terça-feira , 18 dezembro 2018
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Seleção Brasileira e a derrota da ditadura do ufanismo propagado pelos veiculos de comunicação

A classificação da Bélgica para as quartas de final fez com que colocasse uma reflexão nas redes sociais. Que a Seleção Brasileira deveria jogar mais recuada, buscar o contra-ataque e fechar os espaços. Na prática sofri um linchamento virtual. Pior: muitos desdenhavam das qualidades do oponentes. Acharam que seria um passeio. Com o apito final vimos que o filme foi bem diferente. O Brasil está eliminado. Apesar do esforço de Tite e de seus comandados. A derrota não é da Seleção Brasileira, e sim da ditadura do ufanismo reinante.

O Brasil ganhou duas Copas depois de Pelé. Tanto em 1994 como em 2002 as equipes foram pressionadas, criticadas e forçadas até a realizar alterações.

E hoje, o que temos? Lógico, jornalista não entra em campo e nem em treino. Mas influencia a opinião pública e, quando faz um serviço bem feito, acaba por revelar desmandos e problemas de bastidores.

Esta Copa do Mundo não teve nada disso. Pelo contrário. Excetuando-se a ESPN Brasil, ainda resistente e com linha editorial crítica, as outras emissoras tiveram apenas ilhas de criticidade. No restante, o foco nos debates era exaltar a Seleção Brasileira, colocar a cobrança debaixo da gaveta e ignorar o potencial dos oponentes.

A Bélgica foi a vítima mais latente. Nos dias que antecederam ao jogo, comentaristas desdenharam do potencial belga e até acharam que a vitória seria fácil. Ora, qualquer pessoa com conhecimento mediano de futebol sabe que um time com Hazard, Lukaku, Kompany e outros está longe de ser uma reunião de pernas de pau.

Resultado: capitaneados por vários profissionais do grupo Globo (sim, às vezes é preciso fulanizar) venderam a Seleção Brasileira como um time de outra galáxia e os belgas como uma reunião de pernas de pau.

A consequência vemos nas redes sociais. Torcedores sem formação futebolística, dotados de um ufanismo raso e sem um cardápio de informações que lhe façam sim torcer pela Seleção Brasileira, mas sem deixar o espírito crítico.

Desde 2002, não chegamos em uma final. Temos uma carência de treinadores. Enquanto isso, um apresentador de televisão defende com unhas e dentes que a acusação de que Neymar é cai cai é um complô da Inglaterra.

Já passou da hora do verdadeiro jornalismo entrar em campo e o entretenimento deixar de ser formador de opinião.

(análise feita por Elias Aredes Junior)

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1 Comentário

  1. De fato, o Brasil deveria jogar mais recuado. Eu concluí isso durante o jogo. Você enxergou isso antes. Parabéns, Elias. Muito bom.

    Também acho que há uma certa arrogância na comissão técnica e jogadores brasileiros. Acham que devem jogar sempre para frente. Pensam que o talento individual sempre vai resolver. Tite mesmo deu entrevista dizendo que sua função é arrumar defensivamente, porque no último terço do campo o talento e a criatividade vão resolver. Complicado isso.

    Incomoda-me também a babação de ovo da imprensa sobre Tite e Neymar.

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