Como os “Cegos do Castelo” tentam arrebentar com a esperança do torcedor bugrino

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Incompetência não é apenas perder um jogo. Ineficiência vai muito além de deixar de balançar as redes.
Falta de percepção de boa gestão não é suficiente para definir um quadro caótico. O sentido pode ser transmitido por poesia.

Os poetas e compositores são capazes de transmitir aquilo que está entalado na mente e no coração de milhares.

No futebol esta é uma verdade absoluta.

Quando o Guarani sacramentou a sua derrota por 2 a 1 para o Sport por 2 a 1 na noite de ontem na Ilha do Retiro sinceramente não queria colocar minha reflexão em cima do erro clamoroso de arbitragem de André de Freitas Castro que anulou o gol de Nicolas.

Injusto? Doido? Tudo é isso é verdade. Mas não posso recuso um jogo de 90 minutos em cima de 5 minutos de competência. Sim, porque o gol de Nicolas Careca e toda a polêmica gerada esconde o principal: o Guarani novamente jogou mal. Muito mal.

E acrescentou caracteristicas que estavam ausentes das outras partidas: apatia, falta de vibração e de inspiração. Mas não posso culpar os jogadores. Eles são o reflexo de algo muito maior.

De algo capaz de corroer as entranhas do estádio Brinco de Ouro. Que produziu em alguns instantes cenários ilusórios e só produziu tormento e sofrimento. E repare: tudo isso com o salário em dia. Mérito da Justiça Trabalhista que marca a diretoria bugrina em cima.

Mas vamos retornar ao assunto principal. Como definir este instante sem nexo da história bugrina? Como sintetizar tamanha ausência de eficiência de gestão.

Pensei, matutei e encontrei na banda de rock Titãs as respostas. Uma singela musica. Que traduz as prioridades bugrinas do passado, presente e futuro.

O título diz por si só: os Cegos do Castelo. Não falo da cegueira como conhecemos e que merece todo nosso carinho e respeito para quem tem. Os cegos do Guarani são incapazes de perceber se um jogador é limitado tecnicamente.

Não enxergam o clamor e o destemor do torcedor diante de tanto sofrimento. São cegos de visão política, ao ponto que sufocam a palavra e as ideias da oposição. Cegos do Castelo. Castelo que fica bem exemplificado no prédio administrativo do Brinco de Ouro, o queijo.

Local que já abrigou dirigentes históricos e destemidos, como Ricardo Chuffi e Antonio Tavares hoje é um espaço para medidas inadequadas, contratações adotadas sem critério e um Conselho de Administração marcado pela ausência de diálogo com a comunidade bugrina. Sim, porque excetuando-se as entrevistas sazonais de Ricardo Moisés, quando os outros integrantes apareceram para dar alguma explicação? Sim, todos estão encastelados e cegos e impossbilitados de enxergar e empreender uma solução que termine com tal agonia.

Interessante como a música pode servir de boia de salvação em tantos delicados de nossa vida. Nesta obra prima dos Titãs o interlocutor pede para cuidar e zelar por tudo que está ao seu redor. Do jardim, da casa e da pessoa amada.

Após mais uma derrota na Série B, a pergunta é necessária: quem vai cuidar do Guarani? Quem vai zelar pelo seu bem estar? Quem vai abraçar e acalentar uma instituição ainda em recuperação? Quem? Quem? Sim, deveria ser o torcedor. De qualquer classe social. Simpatizante ou fanático. Mas resolveram expulsar o torcedor bugrino deste jardim de sonhos. Hoje ele é apenas espectador. Testemunha de um processo de depauperação no futebol profissional. De um caminho equivocado cujo norte é apenas e simplesmente ignorar as revelações das categorias de base.

Diante disso, como pedir excelência para Nicolas Careca, Giovanni Augusto e Rodrigo Augusto? Como considerar de que algo poderá acontecer? Como apostar que Mozart triunfará? Concordo, o seu começo foi alvissareiro e promissor. Parecia que colocaria a casa em ordem. Mas a cada treino, jogo e entrevista ele parece estar sendo sugado pela força retroativa que vem do Castelo. Por que infelizmente os cegos administrativos do Guarani não querem permitir que ninguém possa enxergar. E salvar um clube ávido por ver dias melhores.

(Elias Aredes Junior- Marlon Costa-Especial para o Guarani)