Ponte Preta 3 x 0 Operário (PR): o futebol é do povo. Para o povo. Com o povo. Para sempre.

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Em dado momento da vida, os instantes de felicidade são escassos. Não há muito o que comemorar ou o que celebrar. Poucos são os fatos que arrancam nosso sorriso e fazem a gente acreditar no amanhã. O jornalista sério também passa por tal agrura. Lidamos com tanta noticia ruim, com adversidades tão intensas que dificilmente imaginamos que o amanhã será melhor. Pois a vitória da Ponte Preta sobre o Operário por 3 a 0, na noite deste sábado no Moisés Lucarelli é um quadro de beleza no salão de arte da vida.

Teve algum lance de beleza plástica nos gols de Matheus Silva, Évis e Wallison? Algum jogador arrancou suspiros? Teve alguma jogada quixotesca ou diferente? Nada disso. Aos 49 anos, o que me fez sorrir e até ficar com os olhos marejados é imaginar o que acontecia em cada lance de arquibancada ou corredor do Majestoso com as 6146 pessoas presentes.

Sorri e chorei ao pensar que aqueles 90 minutos foram o palco ideal para comprovar a tese: o futebol é do povo. Para o povo. Com o povo. Nada mais.

Olhava para a televisão e pensava na avó que nunca foi ao jogo por falta de recursos e levou aos netos. Pensei no pai trabalhador, com a camisa surrada e suada, com o dinheiro contado e feliz por jogar o filho para o alto a cada gol da Macaca. Tive satisfação em pensar e vislumbrar famílias inteiras, oriundas das mais diversas regiões periféricas da cidade. Estas famílias passaram pelas catracas do Majestoso e presenciaram gols e jogadas inesquecíveis. Especialmente para quem o amor saiu do rádio, da internet ou da televisão e virou realidade em cores vivas.

Uma medida provocou essa onda de amor: queda no preço dos ingressos. Abrir o portão ao povo. E o povo respondeu. Não ficou em cima do muro. Catapultado ainda por um projeto que fez história, o “Ponte Preta para todos”, em que torcedores anônimos doaram para que pessoas sem condições financeiras pudessem assistir ao time do coração. Emocionante.

Não pense que jornalista não tem coração. Que só pensa em dinheiro ou montanhas de patrocínios. Sim, ninguém vive de brisa. Ninguém. Mas a gente não pode perder de vista o quanto o futebol é significativo para quem não sabe se terá dinheiro para comprar o pão de amanhã.

Dirigentes vaidosos, jogadores arrogantes, personagens inatingíveis, tudo isso fica pequeno, diminuto, insignificante perto daquilo que pode proporcionar o futebol.

A Ponte Preta venceu. O povo sorriu. É o que importa. O resto a vida constrói. De preferência, com felicidade ao lado de quem amamos. Se for na arquibancada do Majestoso, melhor ainda.

(Elias Aredes Junior-foto de Álvaro Junior-Pontepress)