Análise: Carnielli, Vanderlei Pereira, crise política na Ponte Preta e entendimento distorcido sobre o papel da Justiça

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Filósofo e matemático na Grécia antiga, Platão tem pensamentos válidos para todos os períodos da história. Um deles encaixa-se neste tempo em que duvidamos da eficácia das instituições. “O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis”, afirmou.

Ocupante da Casa Branca de 1901 a 1909, Theodore Roosevelt tinha outra definição interessante sobre o papel do poder judiciário na República dos Estados Unidos. “A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo, onde quer que ele se encontre, contra o errado”, disse.

O que um filósofo e um político norte-americano fazem em um artigo sobre a Ponte Preta? Tais presenças ocupam um papel relevante para explicar que a Justiça não é feita de qualquer forma. Não personifica. Teve desvios e problemas nos últimos anos? Teve. Mas não podemos adotar a parte e cravar que é o todo.

Se Sérgio Carnielli e Vanderlei Pereira foram afastados por intermédio de decisão judicial, o seguinte processo ocorreu na esfera judicial: uma pessoa se apresentou na Justiça representada por um advogado registrado junto a OAB. Este profissional escreveu uma petição para que a Justiça tomasse uma  decisão em relação a uma suposta irregularidade ocorrida no clube campineiro.

O texto encaminhado apresentava leis, fatos e argumentos que provocasse a reflexão do juiz. Que levasse ele a decidir se aceitava ou não o pedido. O juiz levou alguns dias para refletir e afastou os dois ex-dirigentes. Com no seu entendimento na lei e nos fatos apresentados ee não em perseguições pessoais ou teorias vazias.

Pelas leis brasileiras, os empresários estão afastados para cumprir a determinação do juiz e ganharam prazo para se defenderem. Eles devem comprovar que não burlaram qualquer lei . Tudo isso está sob a responsabilidade única e exclusiva de um juiz. Que decide. Tudo. E se quiser inverter o quadro, Vanderlei e Carnielli vão contar com juízes em instâncias superiores para confirmar a decisão do primeiro magistrado ou reformar a sentença.

Colocar a culpa no afastamento nos autores das ações é atitude infantil e sem nexo. Este jornalista apurou que os dois ex-dirigentes têm um batalhão de advogados para cuidar do caso. Que saibam: podem convencer a opinião pública, torcida ou outros personagens sobre a lisura dos seus atos. E eles devem fazer isso. Direito de defesa pleno e total.

Se o juiz, o único responsável pelo julgamento não for convencido, esqueça. É assim aqui e em qualquer país. E não vai mudar.

(Elias Aredes Junior)