Como a letargia e o comodismo matam aos poucos o futebol campineiro

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Um dia após a participação de um programa de rádio, no início de 2018, um integrante da então equipe de esportes na tentativa de dar um conselho me disse a seguinte pérola: “Não perca seu tempo com os clubes de nossa cidade. Eles não valem o nosso esforço”.

Saí do local com um misto de raiva e indignação. Por que a pessoa demonstrou nesta simples frase que suas criticas contundentes por vezes não passavam de um teatro mambembe, apenas para agradar a plateia. Não existia intenção de realmente praticar jornalismo. Ou seja, analisar os fatos, apontar os erros e propor soluções.

Sei que esta postura é minoritária da minoritária dentro da crônica esportiva da cidade. Mas não pode ser ignorada. Porque no fundo compõe um pano de fundo vital e explica porque o futebol campineiro patina faz anos. Não evolue em sua estrutura. Não monta mais times que chamam a atenção para valer em âmbito nacional. Conseguimos, no máximo, atletas medianos. Ou com lampejos de bom jogador. William Pottker e Bruno Mendes retratam o conceito à perfeição.

Torcedores bugrinos e pontepretanos e nós da imprensa estamos contaminados com o vírus do comodismo. Tudo está bom. Manutenção no Paulistão e na Série B? Tá bom.Vendeu mais um jogador?Tá bom. Vão vender o estádio para pagar dívidas? Tá bom. Vão vender o estádio para construir uma arena e pagar um credor? Tudo ok, sem problema. Uma minoria levanta-se e protesta. As alcunhas aparecem: querem tumultuar, mesquinhos, não tem projeto, etc, etc, etc.

Vamos pensar. Promovido à Série C, Mirassol leva o nome da cidade com 60.303 habitantes. Limeira conta com 300.911 pessoas em seu perímetro urbano e rural. O primeiro tem um Centro de Treinamento de ponta. O segundo tem a Internacional de Limeira que anunciou um CT ao custo de 35 milhões de reais.

Ponte Preta e Guarani estão em cidade com 1,2 milhão de habitantes. Disputam o Paulistão e a Série B. O que fazem sobre o tema? Nada. O que planejam sobre o assunto? Nada vezes nada. Isso tem nome: paralisia. Comodismo. Falta de visão de futuro.

E que tem a complacência de nós, cronistas esportivos. Que só queremos falar diuturnamente de bola rolando, escalações, treinamentos e resultados.

Satisfaz a audiência? Claro. Mas a nossa missão não é apenas falar aquilo que o público quer ouvir e sim dizer aquilo que todo mundo precisa ouvir.

Estamos reféns do comodismo. Não temos ideias. Não inovamos. Vivemos de remendo. Não pensamos no futuro. O dia que pensarmos poderá ser tarde.

(Elias Aredes Junior)