“Pacto Ninguém se cala” e a missão concedida ao futebol campineiro: sair da teoria e abraçar a prática

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Em raro momento de conciliação e de comunhão de ideais, Guarani e Ponte Preta assinaram nesta quarta-feira na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas (SP), a assinatura do “Pacto Ninguém se Cala”. A iniciativa do Ministério Público do Estado de São Paulo e do Ministério Público do Trabalho tem a meta de incentivar a conscientização do enfrentamento da violência contra a mulher.

O presidente do TRT-15, desembargador Samuel Hugo Lima e a procuradora-chefe do MPT em Campinas, Alvamari Cassillo Tebet, oficializam a adesão ao pacto, tendo como instituições aderentes também a Ponte Preta, o Guarani e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Pela Ponte Preta, o documento foi assinado pela advogada Talita Garcez enquanto que André Torquato, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Guarani sacramentou a adesão bugrina.

Na teoria, é evidente que o projeto é muito bem vindo. Lógico que lutar contra a violência de gênero é uma norma de toda sociedade. Ninguém pode se omitir. Devemos sonhar com um dia em que mulheres frequentem os estádios sem serem insultadas.

Só que antes de qualquer discussão, é preciso sair da teoria e ir para a prática.

Primeira observação: a Unicamp, uma das principais de ensino da América Latina enviou a sua autoridade máxima, o reitor Tom Zé, para assinar a adesão ao pacto. Ou seja, a instituição universitária faz um gesto de apoio.

E Guarani? E Ponte Preta? Nenhum dos dois presidentes estava presente. Tem justificativas pela ausência? Tarefas a cumprir? Demandas pela janela de contratações? Pode ser. Mas que perde um pouco do brilho, não há dúvida.

Vou além: não adianta firmar pacto contra a violência de gênero e deixar de atacar conceitos básicos. Ponte Preta e Guarani são duas instituições centenárias e que até hoje nenhum dos dois clubes teve a presidência ocupada por uma mulher. Sem contar a parca participação feminina na vida política dos dois clubes.

Espero, de coração, que o pacto melhore de maneira significativa a segurança feminina dentro do futebol. Do jeito que está não dá para ficar.

(Elias Aredes Junior- com foto de Beatriz Gatto/ Imprensa TRT-15)