Faltou bom senso na divulgação da negociação de Camilo no balanço financeiro, analisam especialistas

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O balanço financeiro publicado na quarta-feira, dia 08 de abril, pela Ponte Preta em seu site oficial, demonstra que a participação a venda de atletas foi fundamental para a obtenção do montante de R$ 34 milhões em 2020 para o departamento de futebol. Um resultado que, porém, tem uma descrição falha, de acordo com especialistas em finanças do esporte.

A venda do volante Camilo ao futebol francês, por R$ 11 milhões, está inserida na rubrica “venda de atletas” nas receitas do departamento de futebol. Mas não há a descrição da transação ou do jogador.

A reportagem do Só Dérbi descobriu que a negociação do volante Camilo está inserida neste item. A informação foi confirmada pela diretoria executiva por intermédio da assessoria de imprensa.  A diretoria afirmou que os dados estão publicados desta maneira no balanço sintético, colocado à disposição do público no site oficial.

No balanço detalhado (chamado de balancete na linguagem contábil), por exemplo, existem os dados legais e a descrição das negociações. Segundo os dirigentes,  o balanço detalhado poderá ser requisitado pelos conselheiros na reunião do próximo sábado.

O procedimento adotado pela Ponte Preta, no entanto, é recebido com cautela por especializados em finanças do esporte. “Os clubes precisam seguir as normas das S/A para publicação do balanço. É uma lei antiga da década de 1970 e que vigora até hoje. Ali existem todas as explicações. Não existe publicação de balanço resumido. Balanço precisa ter nota explicativa, parecer do auditor e as peças contábeis que o Conselho Federal de Contabilidade exige”, disse o Amir Somoggi, coordenador da Sports Value e especialista em finanças no segmento esportivo.

A avaliação de Somoggi ganha ressonância com César Graffieti. “O clube não é obrigado a descrever os atletas negociados. Não há obrigatoriedade de fazer isso. Seria bom não apenas colocar esta informação, detalhando nomes, para quem foi negociado e valores, assim como detalhar todos os atletas profissionais do elenco, informando a data final do contrato”, arrematou.

Sobre a descrição da negociação do volante Camilo, o consultor é claro. “O que vale é o bom senso. Se ele (o clube) tem uma receita de transferência ele não pode colocar venda de atletas. Ele deve colocar (a negociação) e mostrar os impostos que caem sobre isso”, arrematou. (Elias Aredes Junior)