Futebol campineiro e a luta contra a “síndrome de Laurinha Figueroa”

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Em 1990, na comemoração dos seus 25 anos de existência, a Rede Globo veiculou a novela “Rainha da Sucata”. Estrelado pelos principais atores da emissora, uma personagem de destaque era Laurinha  Figueroa.

A vilã da história.

Quatrocentona falida e com fissura em sustentar a pose, fazia mundos e fundos para bancar o seu mundo de aparências. Contrastava com a protagonista Maria do Carmo, de origem pobre, de péssimos modos, mas que com dedicação e determinação soube crescer na vida e transformar-se em uma empresária de sucesso.

A viagem no tempo deixa as torcidas campineiros em quadro desconfortável. Uma parte relevante das arquibancadas e de seus dirigentes vivem presos na síndrome de “Laurinha Figueroa”.

Para chegar a um título ou uma colocação relevante, vale tudo.

O passo inicial é trucidar as diretorias sobre a política de contratações. Por vezes não aceitam que o momento é outro e que é necessário viver uma fase de estabilidade e de busca de campanhas de manutenção antes de galgar os objetivos estabelecidos. Querem grifes, jogadores de renome e holofotes. Nem que isso leve o clube ao abismo. Aparências. Nada mais.

Deveriam entender que quando chegar o olimpo é preciso estabelecer bases sólidas para permanecer. Os dois clubes tem dois Centros de Treinamentos que deixam a desejar. Mas assim como o personagem da novela, querem vender que aquilo equivale a uma mansão. Não é.

Neste contexto vale a pena pagar 20% da folha de pagamento para o atacante Bruno Rodrigues na Ponte Preta e tudo deve ser feito para segurar Lucas Crispim ou coadjuvantes de luxo como Junior Todinho. O que importar a voltar a viver o período das décadas de 1970, 1980 e 1990. Vontade não falta. Só não existe dinheiro. Alguns torcedores não se importam. O foco é sustentar a pose. Mesmo que seja na segunda divisão do futebol brasileiro.

Somos críticos aos dirigentes do futebol campineiro. Consideramos que a incompetência campeia de modo avassalador. Neste instante o foco deveria ser na aplicação na prática de uma palavra: responsabilidade. Na aplicação dos recursos e no estabelecimento de metas factíveis.

A vida é muito mais prática do que sonho. Está longe de ser uma novela em horário nobre.

(Elias Aredes Junior)