Gilson Kleina renova contrato com a Ponte Preta. Onde está a mudança? Leia e entenda

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Patrão ou qualquer comandante de instituição tem três direitos: contratar, promover e demitir. Claro, desde que tudo seja feito com decência, ética e cordialidade. Podemos dizer que nestas três possibilidades, o técnico Gilson Kleina foi promovido ao assinar a renovação de contrato. Uma reviravolta e tanto se levarmos em conta que antes das urnas serem abertas existia a aposta geral de que ele seria desligado e outro profissional seria arregimentado.

Duas vertentes de análise são colhidas. A primeira é de que o presidente eleito Marco Antonio Eberlim deverá administrar um peso político desconfortável. O seu grupo foi eleito sob o signo da mudança e no primeiro teste efetivo, a principal mudança não aconteceu. Repito: é desconfortável para o primeiro presidente. O segundo caminho é que claramente a decisão foi politica. Ou seja, o presidente eleito pode encontrar-se convencido de que é a melhor saida a permanência de Kleina, mas antes de qualquer coisa é uma decisão política para provavelmente para sustentar a coalização política do MRP.

Agora, algo deve ser dito: renovar com Gilson Kleina não quer dizer necessariamente que mudanças não foram empreendidas. Pelo contrário. Vou descrever algumas conjunturas que podem levar a alteração de conduta.

– A conjuntura da renovação: anteriormente, nas outras negociações, Kleina tinha a condução dos acontecimentos. Dessa vez, apesar da campanha na Série B, Gilson Kleina ficou submetido as circunstâncias: ele ainda precisa da Ponte Preta como vitrine. Necessita de tempo para comprovar de que está recuperado no mercado. Ou seja, a nova diretoria da Macaca ganhou um cenário para impor determinadas condições. É uma mudança e tanto se fosse comparar com as outras passagens de Gilson Kleina, em que ele ditava o seu preço e o que desejava.

– Comando do processo: esqueça o Gilson Kleina que dominava o vestiário e determinava os rumos do futebol. Ou que tinha o espirito democrático de ouvir muita gente quando tomava decisões. Com a nova diretoria, mesmo sendo presidente, Marco Antonio Eberlim terá o controle total e absoluto dos acontecimentos no futebol. No maximo, o nomeado para coordenador de futebol terá interferência. Mais ninguém. Será cobrado e terá que participar de debates para convencer o presidente de que suas escolhas são as corretas. Pois é, novos tempos.

-A montagem do time: Gilson Kleina terá participação limitada, ao contrário de suas outras passagens. O elenco será do clube. De corpo e alma. Certamente Marco Antonio Eberlim terá participação ativa.

Ou seja, aparentemente a renovação pode para alguns significar estagnação. Mas na minha visão será insuficiente para impedir uma mudança de procedimento de ver, sentir e conduzir o futebol da Ponte Preta.

(Elias Aredes Junior- com foto de Alvaro Junior-Pontepress)